André Lima é um dos mais conceituados treinadores portugueses

O técnico que se sagrou, ao comando do Benfica, campeão europeu em 2010, passou diretamente de jogador para técnico do clube da Luz. A subida na carreira de treinador principal foi meteórica, assim como o sucesso.

Talvez por isso, tenha surgido agora, com a aventura chinesa, a necessidade de uma espécie de... passo atrás para que a evolução possa continuar. «Sim, foi mais ou menos isso que se passou comigo. Os meus amigos costumam dizer que comecei por cima, porque passei logo de jogador para treinador principal do Benfica. Não tive que dirigir clubes de menor nomeada, passou-se tudo muito rápido...», conta André Lima, em declarações à Maisfutebol Total.

No Benfica, tinha sempre a obrigação de ganhar. Uma pressão constante no plano competitivo. A vitória era uma urgência, não só no plano nacional, mas também a nível internacional.

«Neste projeto, é tudo diferente. A prioridade é a formação, a evolução, o crescimento da modalidade. Os resultados também vão contar, mas não para já», comenta o técnico português.

Nascido no Porto, a 10 de maio de 1971, André Lima foi jogador de futsal no Miramar, Caja Segovia (Espanha) e Benfica. Terminou a carreira de praticante na Luz, no tal momento da passagem direta para treinador principal dos encarnados, corria o ano de 2008.

«Foi um desafio, um risco, mas felizmente tivemos grandes resultados», observou.

Os títulos falam por si: campeão nacional e vencedor da Taça na primeira época; vencedor da UEFA Futsal Cup, em abril de 2010, e ainda a Supertaça nacional.

Um título europeu no segundo ano como treinador foi objetivo acima de qualquer expetativa e colocou a fasquia bem alta para a carreira de André Lima.

Do título europeu à aventura na China

A saída da Luz exigia novos desafios. E eles vieram de onde menos se esperava: «Para ser franco, nem sequer sabia que na China se jogava futsal... É um trabalho que numa primeira fase tem que ser de base, de evolução. Comecei por ir para um clube, o Gu Gugang. Só depois veio a seleção».

Passou de treinador campeão europeu a emigrante à descoberta de um novo mundo. Literalmente: «Creio ter sido importante para mim avançar com esse desafio. A China é um país com grande potencial, mas a cultura chinesa é mais propensa aos desportos individuais. Nos coletivos, eles têm algumas dificuldades de compreender o que se pretende. São muito fechados, mas também são aplicados. Mas com trabalho chegam lá e temos feito bons avanços. Estamos a dar passos seguros, é uma questão da federação acreditar ainda mais que vale a pena».

Plano para quatro anos

André Lima tem uma meta bem definida: « Colocar a China como uma das quatro melhores seleções asiáticas». Por essa via, poderá chegar a meta ambiciosa: estar no Mundial de futsal de 2016, que se realizará na Colômbia.

Além do objetivo desportivo assumido, o técnico português tem também projetos na área da formação. «Tenho as escolinhas com o meu nome em Guangdong, que são um grande sucesso. De tal forma que estou a pensar abrir em Pequim e em Xanguai, também».

Sediado em Guanghzou, André Lima explica que, em determinadas partes da China, «ainda se confunde o futsal com o futebol». Há, por isso, um grande trabalho de base a fazer: «Em Guanghzou o futebol tem muita força,o Marcelo Lippi é o treinador da equipa. O potencial de crescimento é enorme».

A comunicação

Como é a comunicação com jogadores chineses? «Tenho um tradutor que fala em inglês e transmite depois em chinês. Mas no desporto há coisas universais. Às vezes paro, exemplifico...»

André Lima foi primeiro 15 dias. Mas ficou:«Pensava que era só uma visita de duas semanas para dar algumas ideias sobre como eles deveriam apostar na modalidade. Mas acabei por ficar num projeto de quatro anos. Está a ser muito interessante».

O futsal português visto de tão longe

Como é que um antigo jogador de topo e técnico que levou o Benfica ao título europeu assiste ao momento atual do futsal português assim de tão longe, quase no outro lado do Mundo?

André Lima vê «evolução e qualidade» e recorda que «o recente quarto lugar da seleção no europeu prova que continuamos a ter essa qualidade. Já somos uma potência europeia».

Mas não esconde: «Nota-se que a crise afetou também bastante os clubes portugueses. Era inevitável».

E dá exemplos: «Os melhores brasileiros não vão para Portugal. A qualidade dos plantéis diminui. É um processo inevitável, quando se está em crise».