candidato a golo do ano

Hoje dá nas vistas com as tão badaladas trivelas, mas se pensava que este dote é fruto do trabalho desengane-se. O Maisfutebol desvenda-lhe o segredo que está bem presente na memória dos que privaram com Quaresma durante a formação no Sporting. Foi aí que tudo começou. Foi ainda bem miúdo que os remates com a parte de fora do pé se tornaram como uma alternativa a um problema durante a infância.

Só existem trivelas porque Quaresma não conseguia rematar em condições. Isso mesmo. Lourenço, companheiro do camisola 7 no Sporting desde as escolinhas até aos seniores, explica como tudo aconteceu: «Talvez ele já não se recorde, mas as trivelas começam pela forma como ele andava. O Quaresma andava com os pés para dentro e como não conseguia chutar como os outros miúdos, chutava com a parte de fora do pé. Coisas de miúdos.»

Esta estranha e muito curiosa razão para as trivelas leva o actual avançado do Panionios, da Grécia, a largar uma gargalhada quando recorda os tempos de criança vivida ao lado de Quaresma: «O que o Ricardo faz agora no F.C. Porto, com aquelas triveladas como nós lhe chamávamos no Sporting, fez sempre desde miúdo. Era a maneira de ele andar e de jogar. Batia livres de trivela, cantos de trivela, rematava e cruzava de trivela. Foi sempre assim. Há pessoas que estranham a maneira como ele cruza e chuta, mas eu já não estranho. Em miúdo era sempre assim que fazia e treinava dessa forma.»

Pernas arqueadas e muitas meias de enchimento

Garrincha não foi o único grande jogador que tinha as pernas arqueadas. Ricardo Quaresma também as tinha. Em miúdo notava-se bem. Pela forma de andar e de jogar. Hoje essa característica física não é tão evidente.

Uma infância bem peculiar, marcada por manias bem próprias de um menino que adorava jogar futebol. Para além dos pés tortos que deram origem às trivelas, Quaresma tinha outra forma própria de preparar a entrada em campo. «Nós brincávamos com ele pois tinha a maluquice de jogar com muitas meias de enchimentos. Jogava com duas ou três meias de enchimento por baixo das meias de jogo. Até lhe perguntava como é que ele sentia a bola nos pés, com tantas meias», relembra Lourenço.

O avançado recorda que o ciganito, «como carinhosamente era tratado», adorava fintar. «Era muito de fintas. É natural que com a idade foi aprendendo outras coisas, mas já quando éramos miúdos ele fintava muito», diz.