No coração da cidade dos estudantes, o ano arrancou com diversas empreitadas, com destaque para os planos na mobilidade urbana. Entretanto, na outra margem do Mondego, no Estádio Universitário, a Secção de Futebol da Associação Académica de Coimbra (AAC/SF) permanece de olho em duas obras: o regresso à 2.ª Nacional de Juniores (Sub-19) e a subida ao Campeonato de Portugal – 4.ª divisão – com os seniores.
De recordar que a Briosa também compete na Liga 3, mas pelo Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF). Ora, a AAC/SF é composta maioritariamente por estudantes.
O contexto é descrito ao Maisfutebol por José Viterbo, outrora treinador de União da Madeira e Académica. Aos 62 anos, cumpre a quarta época como coordenador da formação da AAC/SF. Como tal, é o guia indicado para nos conduzir até Adrianinho, avançado brasileiro de 18 anos.
Se o nome deste jovem desperta curiosidade, a presença dissipa qualquer dúvida. É o filho de Adriano, o “Imperador” que brilhou, nomeadamente, por Inter de Milão, Parma, Fiorentina, Flamengo e Brasil.
O novo ponta de lança dos juniores da AAC/SF conta com um golo em três jogos e vive o segundo capítulo na Europa, depois da brevíssima passagem pela Dinamarca. Ao Maisfutebol, Adrianinho revela-se entusiasmado e «em família».
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Maisfutebol: Como começa a aventura no futebol, houve dedo do “Imperador”?
Adrianinho: Comecei a jogar aos 3 anos, por iniciativa do meu pai. A minha mãe não queria, ela preferia que eu prosseguisse os estudos. Mas, a minha paixão sempre foi o futebol. Comecei na escolinha do Barcelona, no bairro da Tijuca, depois mudei-me para a escolinha do PSG. E até viajei para Portugal, para disputar um torneio internacional, mas era muito novo. Até que, aos 12 anos, tomei a decisão de seguir este caminho. Disse à minha mãe que queria ser jogador e propus seguir para um clube que me obrigasse a crescer. Então, mudei-me para o Boavista, no Rio de Janeiro. Fiquei lá um ano e meio.
MF: (...)
AD: Recebi uma oportunidade no Grémio, mas, por causa da Covid-19, não fiz qualquer jogo oficial. Por isso, em 2022, mudei-me para o Serrano – do Rio de Janeiro. Concluí a formação e fiz a estreia enquanto profissional. Disputei a Série C e B na regional, o equivalente à distrital de Portugal.
MF: Quando é muito novo, o seu pai está no final da carreira?
AD: Estava já quase retirado, lembro-me dele na fase final no Corinthians, grande parte da infância foi vivida no Brasil.
MF: As pessoas associam o seu nome ao "Imperador"?
AD: Estando no meio do futebol é natural. Eu gosto. Para começar, sou muito semelhante de cara. Já me disseram que a corrida e o remate são semelhantes – também jogo com o pé esquerdo e sou ponta de lança. As pessoas fazem questão de dizer que o meu pai é «muito maneiro», que são fãs. Já estou habituado, acontece desde a infância.
MF: Quais os principais conselhos transmitidos pelo seu pai?
AD: Há dois muito importantes. A humildade, sempre com o pé no chão, chegar com essa postura a todos os lugares. O outro é mais técnico: «Se chega na frente da baliza, remata que é golo».
MF: Como surge a oportunidade pela AAC/SF?
AD: Foi muito rápido, o convite surgiu no princípio de 2025. Tinha algumas propostas no Brasil, na Série B e C do Carioca. Então, reuni com os meus pais e com o meu empresário – a minha mãe gostava que eu ficasse próximo da família. Já o meu pai e o meu empresário encorajaram-me, porque Portugal é uma montra. O meu pai também deu um grande passo ao sair do Flamengo para reforçar o Inter de Milão, aos 19 anos. Teve de crescer no Parma e na Fiorentina até convencer.
MF: (...)
AD: Disse-me: «Se quiseres ser profissional na Europa, fácil não é, mas os primeiros passos são os mais dolorosos. É difícil ir para o estrangeiro e ficar sozinho, mas também passei por aí. Esse processo é muito importante, além da adaptação a outro contexto social, desportivo e ao clima». No meu último dia no Rio de Janeiro estavam 45.ºC. Cheguei a Lisboa a marcar 5.ºC. É uma diferença absurda.
MF: Quando chegou a Portugal, quais as primeiras diferenças notadas no relvado?
AD: A intensidade e a velocidade. No Brasil tínhamos tempo para pensar na decisão. O jogo lá é muito físico, mas em Portugal a construção é muito mais rápida, o que obriga a decidir bem antes de receber a bola. Fiquei surpreendido.
MF: O “Imperador” guarda alguma amizade em Portugal? Jogou com Nuno Gomes, Ricardo Quaresma, Figo, Maniche e Pelé.
AD: De todos, o meu pai dava-se melhor com o Figo. Foi uma ajuda muito importante para ele em Itália. Infelizmente, nunca estive com o Figo, quem me dera. Quando recebi a oportunidade na Académica, o meu pai conversou com o Figo, que o aconselhou e confirmou que este é o passo certo.
MF: É a primeira experiência na Europa?
AD: Não, estive à experiência na formação do Midtjylland, há dois anos, quando tinha 16. Fiquei um mês na Dinamarca, mas a adaptação foi muito difícil, o frio era excessivo, nevava e treinávamos com temperaturas negativas. Não me consegui adaptar, mas acredito que agora – com outra maturidade – vou dar o passo em frente.
MF: Quem é o jogador que o inspira, além do "Imperador"?
AD: Cristiano Ronaldo, o melhor jogador nas últimas décadas. Também gosto do Lewandowski, um ponta de lança talhado para finalizar. Quanto a compatriotas, destaco o Ronaldinho Gaúcho, Neymar e o Ronaldo. Falta-me conhecer o Neymar. É o melhor brasileiro na seleção, com o Vini Jr. por perto. No meio-campo adiantado e no ataque, além desses dois, apostaria no Paquetá, Bruno Guimarães ou Raphinha. Não falta talento.
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