Tetra

Os dragões demoraram 45 minutos a aquecer, viram Olegário Benquerença fazer vista grossa a uma grande penalidade favorável à Briosa, e resolveram o jogo em quatro minutos, recuperando a vantagem de quatro pontos sobre o Sporting, que vencera em Guimarães no sábado.

Jesualdo Ferreira não abdicou do onze mais forte, pese o risco de cansaço de alguns elementos, apostando como era de prever em Mariano Gonzalez para o lugar de El Comandante. Foi a única alteração, como se sabe forçada, em relação à equipa que enfrentou o Manchester.

A tradição manteve-se assim na cidade do Mondego, onde os estudantes continuam sem conseguir vencer os portistas. O registo de melhor equipa a jogar em casa, que detinham em igualdade justamente com F.C. Porto e Sporting, também caiu com esta derrota quase cinco meses depois da última, frente ao Benfica.

Entrada sonolenta

Ao contrário do que se poderia esperar, os tricampeões não entraram a todo o gás, determinados a resolver a partida cedo para poderem, eventualmente, gerir o esforço da segunda parte. A Académica aproveitou os espaços concedidos e com alguma pressão alta à mistura ganhou cantos e livres, explorou, por intermédio de Lito, as fragilidades de Sapunaru, mas o melhor período dos da casa durou pouco tempo e revelou-se inofensivo.

Uma tentativa de chapéu de Cristian Rodriguez, anulada com espectacular intervenção de Peskovic, deu o mote para a viragem no jogo, que passou a ter um sentido mais condizente com os estatutos das equipas em campo. O F.C. Porto acelerou finalmente, a Académica deixou de ter pulmão para chegar à frente, e preferiu resguarda-se cá atrás, cerrar fileiras, numa atitude carregada de pragmatismo.

Os dragões tinham em Mariano Gonzalez um elemento desequilibrador pela direita, a espaços ajudado por Hulk, mas a boa vontade não chegava. O F. C. Porto não conseguia romper a muralha academista, mostrava-se demasiado previsível e sem o discernimento e paciência necessários para dar a volta ao texto.

A poucos minutos do intervalo surgiu o caso do jogo. Num livre de Tiero, à entrada da área, Raul Meireles surge a desviar a bola com a mão, ficando a ideia de que Olegário Benquerença terá errado ao não considerar grande penalidade a favor da Briosa. E foi debaixo de um sururu que terminou a primeira parte devido à celeuma na área portista.

Cabeça de Rolando e Licha resolve

O jogo recomeça praticamente com o golo anulado à equipa da casa mas desta vez a decisão parece correcta, já que Orlando terá empurrado Rolando no calor do lance. O cariz da partida em nada mudou mas o F.C. Porto percebeu finalmente como poderia desatar o nó criado pela Académica.

Num lance de bola parada, bem estudado, Raul Meireles coloca na área, onde Bruno Alves arrasta a defesa, deixando Rolando à vontade para marcar e dar início à marcha triunfal azul e branca em Coimbra. Logo a seguir, Lisandro arranca uma grande penalidade a Amoreirinha, e o próprio converte, sem dificuldade.

A Académica, que tão pouco fizera até então em matéria de produção atacante, confirmou a falta de argumentos para incomodar os portistas no último terço da partida, e o descanso veio a calhar. Jesualdo refrescou a equipa, poupou os jogadores mais saturados, como Raul Meireles e Lisandro, e pôde começar a pensar nas próximas batalhas. A próxima é já na quarta-feira, na Reboleira, para as meias-finais da Taça de Portugal. Quando já todos pensavam no próximo jogo, Mariano Gonzalez ainda teve tempo de coroar a exibição com o 3-0.