Mesmo começando a carreira de treinador em equipas modestas, Panduru continua a sonhar alto: no início afirmou numa entrevista que esperava cinco anos até chegar a seleccionador. Agora, admite com um sorriso, está disposto a dilatar o prazo: «Se calhar vão ser dez. A minha vida sempre foi instável, quando não me arranjavam problemas era eu a arranjá-los. Por isso se calhar vai ser sempre assim», brinca.
«Exilado» em Constanta, estância turística no Mar Negro, a três horas da capital, onde vive a sua família (mulher e dois filhos), Panduru tem a noção de que a Roménia virou destino de moda para o futebol português. O Cluj, com oito jogadores vindos da Liga portuguesa, deu o exemplo e a aposta tem resultado. Mas o antigo médio do Benfica e F.C. Porto tem dúvidas de que a receita seja sempre válida: «Eu voltei a Portugal em Dezembro, para ver uns jogos e tentar levar alguns jogadores para o Farul, só que não tínhamos dinheiro suficiente para o que queríamos. Mas para os portugueses nem sempre é fácil a adaptação à Roménia, porque a vida é muito diferente. Ou têm um grupo forte, como no Cluj, ou então precisam de alguém em quem confiar, com quem possam falar português. Se não, as saudades começam a apertar e tudo fica mais complicado.»
De uma coisa, Panduru está seguro: o nível do futebol romeno está a melhorar nos últimos anos. «Os resultados recentes nas provas europeias provam-no, mas ainda nos falta algo mais. Talvez estádios novos: visitei os de Benfica, Porto e Sporting e o futebol assim é outra coisa. Claro que também não esqueço a velha Luz, no tempo em que levava cem mil adeptos. Mas a noção de conforto é fundamental para o futebol moderno e ainda temos muito que trabalhar a esse nível na Roménia.»
O aumento da capacidade financeira dos principais clubes romenos ainda não se estendeu às equipas da segunda metade da tabela. Mas Panduru lembra que o mais difícil é dar início aos ciclos positivos: «Há mais dinheiro, mas o campeonato romeno ainda não se compara ao português. Só que, com quatro equipas na Europa, a partir do próximo ano, as receitas vão aumentar. Já temos o melhor campeonato dos últimos largos anos, e a tendência é para melhorar.»
Se o optimismo acerca do futebol do seu país é uma convicção forte, já a evolução da modalidade deixa o antigo internacional algo apreensivo: «Como disse, há cada vez menos espaço para os criativos. Toda a gente joga para não perder, o conceito de espectáculo acabou. Talvez o Barcelona, no ano passado, tenha sido a última equipa a praticá-lo. Eu tenho pena, claro, mas como todos os treinadores tenho de adaptar-me e viver em função dos resultados.»