João Rolin Duarte, secretário-técnico adjunto do Sporting, garantiu ter sido avisado pelo chefe de segurança do clube da invasão que estava prestes a acontecer na Academia de Alcochete. O responsável falou hoje no Tribunal de Monsanto.

«Cheguei à Academia pouco depois das duas da tarde. Desde a conversa com Ricardo Gonçalves [chefe de segurança do clube] até à chegada dos adeptos... Passaram-se entre 20 a 30 minutos. Talvez 25, não mais de 30 minutos», afirmou o funcionário do Sporting.

Sobre a entrada do grupo de adeptos no complexo, João Rolin Duarte explicou ter fechado três portas «por dentro», que quando o fez «não tinha conhecimento que já estivessem pessoas na academia», e que pediu ao roupeiro João Reis para fechar a porta do balneário.

No entanto, as tochas que alguns adeptos arremessaram ativaram o alarme de incêndio e destrancaram as portas eletrónicas.

«Oiço o alarme de incêndio a tocar e supus que a porta estivesse destrancada. Começo a correr e vejo então um indivíduo a atingir o Bas Dost com um cinto. Levo o Bas Dost para a casa de banho, lavo o sangue da sua cabeça e entreguei-o ao Dr. Virgílio [Abreu], o médico do Sporting», relatou.

Já sobre a reunião que teve lugar na véspera do ataque (dia 14 de maio), entre Bruno de Carvalho e alguns elementos do «staff» leonino, João Rolin Duarte revelou que o antigo presidente do Sporting os questionou se estariam ao seu lado.

«O presidente perguntou se estávamos com ele, acontecesse o que acontecesse no dia de amanhã», lembrou.

Recorde-se que Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, «Mustafá», líder da claque Juventude Leonina e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de serem os autores morais do ataque a Alcochete. Em causa estão 40 crimes de ameaça agravada, 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e 38 crimes de sequestro, todos eles (97) classificados como terrorismo.

Os restantes 41 arguidos estão acusados da coautoria dos mesmo crimes.