(Artigo criado originalmente a 5 de janeiro, ainda sem os dois jogos em atraso que se concluíram neste domingo)
A primeira volta da Liga 2025/26 chegou ao fim neste domingo com a realização do Nacional-Santa Clara e do Moreirense-Tondela, jogos em atraso.
Altura certa para fazer um balanço de A a Z do que foi esta primeira metade da prova, com figuras, momentos e dados que ajudam a contar o que se passou desde que no início de agosto a bola voltou a rolar nos relvados nacionais.
Do melhor ataque, à melhor defesa, passando por outros registos recorde, uns pela positiva, outros pela negativa, as figuras e até o número de penáltis assinalados e onde fica a nossa Liga em comparação com outras nesses registo, está tudo (ou quase tudo, vá!) neste abecedário que o Maisfutebol preparou para si.
A(taque)
Ninguém marcou mais golos do que o Sporting: 47, o segundo melhor registo desde a viragem do século, apenas superado pelos 48 – também dos leões – na temporada passada. O Sporting tem ainda o melhor saldo de golos (+38), seguido do FC Porto com +32 e do Benfica com um saldo positivo de 25 golos.
B(runo Lage)
Venceu sete em dez jogos em 2025/26, conquistou a Supertaça ao Sporting, apurou o Benfica para a fase de grupos da Liga dos Campeões (com mais de €40M garantidos para os cofres) e mostrou-se satisfeito por, pela primeira vez, ter tido um plantel à medida dos seus desejos, mas nem isso o colocou a salvo do despedimento em plena campanha eleitoral no clube. Saiu na noite da derrota com o Qarabag na Luz para a Champions.
C(hicotadas)
Cinco clubes mudaram de treinador na primeira volta, mas houve sete «chicotadas». O AVS e o Casa Pia foram os repetentes numa lista que contempla ainda Tondela, Estrela da Amadora e Benfica.
D(efesa)
O FC Porto consentiu apenas quatro golos nas primeiras 17 jornadas. É o melhor registo de uma equipa na Liga desde 1995/96, quando os dragões, então orientados por Bobby Robson, fecharam a primeira volta (também com 17 jogos) com apenas três golos sofridos.
E(spectadores)
1.836.221 espectadores estiveram nos 153 jogos já realizados na primeira volta. O Estádio da Luz foi o que recebeu mais espectadores: 534.909 distribuídos por nove jogos, uma média de 59.434 por jogo e uma taxa de ocupação de 87,8 por cento (taxa do FC Porto foi superior, com 91,76%). As nove maiores assistências da primeira volta foram na casa do Benfica e o recorde foi registado no dérbi da na Luz com o Sporting: 65.247 espectadores. O AVS foi a equipa com a pior média de assistências (1.733), enquanto o Santa Clara teve a pior taxa de ocupação (24,88%).
F(arioli)
Escolhido por André Villas-Boas para suceder a Martín Anselmi, chegou ao Dragão após a traumática perda do título nos Países Baixos pelo Ajax. O impacto do técnico italiano superou as expectativas e materializa-se, para já, em vários recordes e numa liderança confortável da classificação com sete pontos de vantagem sobre o Sporting (2.º) e dez sobre o Benfica, que fecha o pódio.
G(olos)
Foram marcados 417 na primeira volta. São já mais 24 golos do que em 2024/25.
H(julmand)
O esteio que liga o Sporting de um lado ao outro do campo. Cumpre a terceira época de leão ao peito – a segunda como capitão – e o sucesso recente do clube leonino, que se sagrou bicampeão pela primeira vez em mais de 70 anos, deve-se também muito a ele.
I(nvictos)
FC Porto (16 vitórias e um empate) e Benfica (11 vitórias e seis empates) são as equipas que não foram derrotadas na primeira metade da Liga. Desde 2012/13 que não havia duas equipas a fechar a primeira volta invictas. Na altura, FC Porto e Benfica também o conseguiram e assim permaneceram até à 29.ª jornada, quando dragões e águias se defrontaram no célebre jogo no Dragão decidido por Kelvin e que permitiu aos portistas passar para a frente da Liga e confirmar a conquista do tricampeonato uma semana depois.
J(akub Kiwior)
Chegou ao FC Porto em cima do fecho do mercado e assumiu a titularidade à primeira oportunidade. Estreou-se na quinta jornada e foi totalista na Liga desde então. O compatriota Bednarek pode ser o líder e o elemento mais experiente da defesa portista, mas o mais jovem dos polacos é a peça que faltava ao setor.
L(uis) Suárez
Chegou a Alvalade no final de agosto para substituir Viktor Gyökeres. Custou 22 milhões de euros mais 5M em função de objetivos que, se forem cumpridos, podem fazer dele o reforço mais caro da história do Sporting. Apesar da herança pesada – pelo que custou e por quem substituiu – afirmou-se rapidamente como uma das figuras da equipa de Rui Borges. É o segundo melhor marcador da Liga com 15 golos (menos dois do que Pavlidis) e tem encaixado na perfeição no novo modelo de jogo que o treinador transmontano desenhou para 2025/26 e que assenta num jogo mais coletivo e menos dependente de individualidades.
M(ourinho)
Aos 62 anos, o técnico foi oficializado a 18 de setembro. Dois dias depois, exatos 25 anos após ter sido anunciado por João Vale e Azevedo no Benfica e de ter, formalmente, iniciado a carreira como treinador principal, orientou os encarnados na Vila da Aves.
N(ove)
Os pontos que o FC Porto somou a mais do que no mesmo período da época passada. Os azuis e brancos foram, a par do Gil Vicente (19x28), a equipa que registou o maior salto pontual. Curiosamente, os três grandes fecham a primeira volta com mais pontos do que no período homólogo transato: o Sporting (42) fez mais um e o Benfica (39) somou também mais um ponto do que os que tinha há um ano com Bruno Lage.
O(nze metros)
Foram assinalados 69 e convertidos 53 penáltis, numa taxa de conversão de 76,8 por cento. Benfica e Sp. Braga (ambos com nove) foram as equipas com mais castigos máximos a favor, sendo que as águias acertaram todas as tentativas e os minhotos oito em nove. Todas as equipas foram para a marca dos 11 metros pelos menos duas vezes e uma ainda busca o primeiro golo desta forma: o AVS, que falhou as duas ocasiões que teve. Comparativamente com as chamadas Big-five europeias, só houve mais penáltis assinalados em França (71).
P(avlidis)
O melhor marcador da primeira volta, com 17 golos. Na época passada, o avançado tinha apenas quatro remates certeiros no final de uma primeira volta na qual Viktor Gyökeres foi rei incontestado dos goleadores e virou a Liga com 21 golos.
Q(ueda)
O Santa Clara é a equipa que registou a maior queda pontual comparativamente com o período homólogo transato. Na época passada, por esta altura, os açorianos tinham 31 pontos e ocupavam o 5.º lugar em igualdade com o Sp. Braga (4.º). Agora têm menos 14 e seguem no 14.º posto da Liga.
R(ecorde)
O número de pontos do FC Porto no final da primeira volta (49 em 51 possível) é o máximo alguma vez registado e supera o registo do Benfica de Bruno Lage em 2019/20 (48). Nos dragões, Francesco Farioli ultrapassou Sérgio Conceição, que em 2021/22 virou a Liga com 47 pontos e no final da época estabeleceu o (ainda por bater) recorde de 91 pontos.
S(ensação)
O empate do Gil Vicente com o Sporting, aliado ao tropeção do Sp. Braga na Amadora, permitiu à equipa de César Peixoto encerrar a primeira volta com 28 pontos, recorde do clube na viragem da Liga. Os gilistas estão apenas a seis pontos do registo com que concluíram o campeonato passado.
T(otalistas)
Oito jogadores participaram em todos os minutos possíveis na primeira volta: 1.530. Seisdeles são guarda-redes (Hornicek, Sp. Braga; Carevic, Famalicão; Renan Ribeiro, Estrela; Joel Robles, Estoril; Gabriel Batista, Santa Clara; Bernardo Fontes, Tondela) e dois são jogadores de campo: Felix Bacher, defesa austríaco do Estoril, e Rodrigo Pinheiro, lateral-direito do Famalicão. Diogo Costa também podia estar nesta lista, mas foi substituído ao intervalo do jogo com o AVS, a contar para a jornada 16.
U(topia)
Em noventa anos de campeonato nacional, esta foi a 11.ª vez que o líder chega a meio do campeonato com pelo menos sete pontos de vantagem sobre o mais direto perseguidor. A história diz que essa vantagem foi suficiente para chegar ao título em nove das dez vezes anteriores. A exceção? O Benfica em 2019/20, que foi ultrapassado pelo FC Porto de Sérgio Conceição. Sporting e Benfica ainda podem sonhar? Poder, podem. Mas as possibilidades de chegarem ao título são quase utópicas.
V(ictor Froholdt)
Chegou ao FC Porto a troco de 20 milhões de euros mais €2M em função de objetivos, um valor substancial tendo em conta que chegou de uma liga periférica (Dinamarca) e com apenas 19 anos. O médio dinamarquês afirmou-se rapidamente como um dos motores da equipa de Francesco Farioli e chutou para canto todas as dúvidas sobre custo/qualidade. Hoje é um valor seguríssimo do FC Porto e titular na seleção.
X
Joga totobola? Então conhece o significado do x, até porque dá-nos jeito para resolver a dor de cabeça que esta letra nos provocou na elaboração deste balanço. Em 153 jogos houve 42 empates e o Rio Ave lidera neste registo, com oito.
Z(ero)
O número de vitórias do AVS, que fechou a primeira volta com quatro pontos somados, o pior ataque (11) e a pior defesa (43). Desde 2007/08 que uma equipa não dobrava a metade da Liga sem qualquer triunfo, mas aí o União de Leiria, que viria a descer de divisão, até fez mais um ponto e realizou menos duas jornadas, já que a prova tinha 16 equipas. O AVS apresenta o pior registo pontual da era da vitória a três pontos (desde 1995/96), dos campeonatos com 18, 20 ou 16 equipas e é preciso recuar até 1963/64 para encontrar um pior «lanterna vermelha». Nessa temporada, com 14 clubes participantes, era o Olhanense, que encerrou a primeira volta com nenhum triunfo, dois empates e 11 derrotas. Os algarvios acabariam por ser despromovidos, mas ficaram a dois pontos da salvação.
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