Ponto forte: intensidade física, sobretudo com o jogo partido

Como dita a tradição africana, o Gana é uma seleção de grande disponibilidade física, que coloca muita intensidade no jogo. Esse é um aspeto que pode ser fundamental, sobretudo se tivermos em conta as limitações físicas que a seleção portuguesa tem apresentado. A equipa das quinas terá de procurar gerir bem o ritmo, com o Gana a procurar partir o jogo, algo que lhe é sempre benéfico.

Ponto fraco: jogo sem asneiras não é jogo

O principal obstáculo de qualquer seleção africana é ela própria. E o Gana não é exceção. O principal ponto fraco é a tradicional tendência para cometer erros crassos e decisivos neste contexto de exigência. Por vezes parece que está tudo a correr bem e um momento de desconcentração deita tudo a perder.

Principal ameaça: Asamoah Gyan

Sem Muntari, castigado, a escolha recai em Asamoah Gyan. Já fora do futebol europeu (joga no Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos), embora tenha apenas 28 anos, o capitão ganês é um avançado com poder de fogo na área, dada a forma agressiva como ataca os lances e a luta que dá aos centrais, mas igualmente muito móvel, explorando muito bem os movimentos a pedir passes entre os centrais e os laterais.

Onze provável:

DAUDA: Não foi titular no primeiro mas foi o escolhido para o encontro com a Alemanha e esteve em plano positivo, pelo que deve conservar o lugar. Competente entre os postes e felino, mostra-se fiel à escola africana também na dificuldade em lidar com cruzamentos.

HARRISON AFFUL: Opare, reforço portista, foi titular no jogo inaugural, mas não esteve bem, e ainda para mais acabou por o encontro com a Alemanha por lesão. Afful teve responsabilidades no golo de Götze, mas ainda assim superou o nível exibicional de Opare, que ao que tudo indica continuará indisponível.

BOYE: É um jogador imprevisível, que oscila entre bons pormenores e falhas incríveis, mas neste Mundial tem andado mais ligado aos erros. Tem responsabilidade em três dos quatro golos sofridos pelo Gana.

JONATHAN MENSAH O central de 23 anos falhou no golo do empate da Alemanha, ao deixar fugir Klose nas costas, mas era um lance complicado, tendo em conta que o canto é desviado ao primeiro poste. Tem estado bem mais sólido do que Boye, refira-se.

ASAMOAH Lateral evoluído tecnicamente, que por isso pode jogar mais adiantado no terreno, inclusive em zonas mais centrais. Por vezes arrisca é demasiado com a bola nos pés, perdendo a bola em terrenos proibitivos.

RABIU o jogador do Kuban Krasnodar tem sido o parceiro de Muntari no meio-campo, e o elemento mais fixo à frente da defesa, permitindo que o jogador do Milan, que cumpre suspensão frente a Portugal, se liberte mais para assumir a condução dos ataques.

BADU: O médio da Udinese tem apenas 23 anos mas larga experiência na seleção, e parece o principal candidato a ocupar o lugar de Muntari, dadas as limitações físicas de Michael Essien.

ATSU: o antigo jogador do FC Porto é o principal desequilibrador da equipa em termos ofensivos. Joga a partir do flanco direito mas procurando quase sempre zonas interiores, na perspetiva de um remate ou de um passe entre o central e o lateral, à espera do movimento de Asamoah Gyan. Atsu não tem sido feliz no momento de definir as jogadas, mas as suas movimentações têm elevada importância na manobra ofensiva da equipa.

KEVIN-PRINCE BOATENG: É a posição de médio ofensivo/segundo avançado que está a dar mais dores de cabeça ao selecionador ganês. Jordan Ayew foi titular no primeiro jogo mas não esteve bem. Kevin-Prince Boateng entrou ao intervalo e jogou melhor, motivo pelo qual mereceu a titularidade frente à Alemanha, mas também não foi feliz nesse encontro e acabou por sair no início da segunda parte. Em todo o caso, por ser um jogador que pode equilibrar mais a zona central, talvez a escolha incida em Boateng.

ANDRÉ AYEW O camisola 10 do Gana tem andado bem mais inspirado do que o irmão Jordan. Joga a partir da esquerda, mas aparecendo muito bem na área, no apoio a Gyan. Foi dessa forma que marcou dois golos neste Mundial.

Outras opções:

Resumindo, são duas as principais dúvidas sobre o «onze» do Gana. Se a posição de médio ofensivo/segundo avançado fica entregue a Kevin-Prince Boateng ou Jordan Ayew, e sobretudo qual será o substituto de Muntari.

No que diz respeito a esta última questão o principal candidato será Badu, mas a escolha pode recair também em Essien, que foi suplente utilizado no primeiro jogo. O médio do Milan já não dá as garantias de outros tempos, mas a sua experiência e capacidade física podem convencer o selecionador. Outra possibilidade seria recuar Kevin-Prince Boateng, ou deslocar Asamoah para uma posição central, mas estes cenários são menos prováveis.

Wakaso Mubarak, jogador do Rubin Kazan, é a principal alternativa aos extremos André Ayew e Christian Atsu, mas Albert Adomah, do Middlesbrough, é outra opção para essas funções.

O jovem Majeed Waris, que esteve emprestado pelo Spartak de Moscovo ao Valenciennes, pode ser uma solução se o Gana precisar de uma alternativa a Asamoah Gyan na área.

Análise detalhada:

Ainda com possibilidades de chegar aos oitavos-de-final do Mundial2014 (reduzidas, mas ainda assim superiores a Portugal), o Gana tem apresentado um esquema de 4x2x3x1 fiel à tradição africana na atração pelo ritmo elevado e pelo jogo partido, mas também pelas habituais desconcentrações, sobretudo na retaguarda. Não só ao nível das marcações, como também na resistência a dar um «chutão» quando é preciso tirar a bola da zona de perigo.

Ainda assim é uma equipa com boa organização defensiva, como se viu no jogo com a Alemanha. É certo que o Gana sofreu dois golos, mas ainda assim conseguiu segurar a potência ofensiva germânica, garantindo um empate que deixa em aberto a possibilidade de apuramento.

A seleção africana fechou-se bem defensivamente, primeiro em 4x4x2 mas depois com Kevin-Prince-Boateng a recuar um pouco mais para o apoio a Muntari e Rabiu, assim que o selecionador Akwasi Appiah percebeu que o adversário estava a explorar o espaço entre linhas.

A defesa jogou também ligeiramente subida, de forma a criar um bloco mais compacto e tapar assim «buracos» entre setores. Na primeira linha defensiva notou-se uma tendência para «encaminhar» os adversários para os corredores laterais, e aí provocar o erro.

Ainda no que diz respeito à vertente defensiva, a seleção ganesa denota evidentes dificuldades no jogo aéreo, tendo em conta que dois dos quatro golos sofridos surgiram de canto, e um outro tento é consequência de um cruzamento da direita, ainda que num lance de bola corrida.

A exibição que o Gana conseguiu diante da Alemanha foi claramente superior ao que tinha apresentado frente aos Estados Unidos, na ronda inaugural. Perante um adversário bastante fechado, até pela vantagem no marcador conseguida logo no primeiro minuto, a seleção africana passou muito tempo no meio-campo ofensivo, mas apresentou um futebol algo lento e previsível.

O Gana ataca sobretudo pelo lado direito, sobretudo pela ação de Atsu, já referida, que recebe a bola junto à linha mas depois procura muito zonas interiores, onde tenta desequilibrar. Este movimento é complementado pelas subidas regulares do lateral desse lado, que aposta muito em cruzamentos. André Ayew, que joga no lado esquerdo do ataque, também procura muito zonas mais centrais, mas faz esse movimento sem bola, ao contrário de Atsu.