É verdade que a bola não chega cabeceada por Pelé nem é um jogo de Campeonato do Mundo. É um simples central checo, um tal de Rene Wagner, quem acena com a cabeça de cima para baixo como dizem as regras, fazendo o esférico cair perto do pé direito de Peter Schmeichel.

O eco dura vários dias, as televisões repetem a defesa de vários ângulos, e todos comparam aquele voo picado de um Grand Danois em Viena, em luta com o seu próprio corpo, com o do histórico keeper inglês, Gordon Banks, 26 anos e alguns meses antes, no México.

«A minha melhor defesa de sempre aconteceu frente ao Rapid, na Áustria, em jogo da Liga dos Campeões, em dezembro de 1996. Houve muito furor depois disso e chegou a passar nas notícias. Foi comparada com a de Banks, que para mim foi a melhor de sempre, por isso foi a maior honra de todas para mim.» (Schmeichel, em entrevista à «FourFour Two»)

Os Red Devils vencem esse jogo por 2-0, com golos de Ryan Giggs (24) e Cantona (72) na última jornada do Grupo C e qualificam-se, atrás da Juventus, para os quartos de final. Eliminam o FC Porto (4-0 em Old Trafford, 0-0 nas Antas), mas caem perante o Borussia Dortmund de Paulo Sousa (1-0 e 0-1), que levantará o troféu no Olympiastadion, em Munique (3-1).

Se a defesa é melhor que a de Banks ou não ficará para sempre a dúvida. É uma questão de gosto. Nem é certo de que seja sequer a melhor do próprio Schmeichel, autor de verdadeiros monumentos na arte de tapar a baliza. O futuro guarda-redes do Sporting está, na altura da estadia em Viena, no auge da sua carreira e, dois anos e meio depois, será fundamental na conquista do famoso treble do Manchester United.

Uma defesa monstruosa.

De outros ângulos:

 

Um dos maiores de sempre.