Ricardo Costa, treinador de andebol do Sporting, voltou a abordar os incidentes no balneário do Dragão Arena, logo após a vitória dos leões sobre os polacos do Wisla Plock (33-29), em jogo da primeira mão do play-off de acesso aos quartos de final da Liga dos Campeões.
Sobre o jogo desta quinta-feira
«Acho que foi um grande jogo de andebol. É certo que há a sensação com que saímos depois de estarmos a ganhar por oito ou por nove golos, mas diria que, mesmo que tivéssemos ganhado por essas diferenças não sairia daqui com a sensação de que a eliminatória está fechada. À partida, se nos dissessem que este seria o resultado, de quatro golos no final dos primeiros 60 minutos, assinaria por baixo. Por isso, estou contente com o que fizemos. Sabemos que vamos ter de passar por dificuldades no bloco, mas são outros 60 minutos, podemos fazer melhor algumas coisas e é nisso que temos de nos concentrar».
Como vai ser o jogo da segunda mão, na Polónia
«Acho que será um jogo completamente diferente na casa do nosso adversário e acho que vai ser duro, mas acho que não devemos pensar nos quatro golos que temos [de vantagem]. Temos de encarar o jogo como uma final, mas jogá-lo da mesma maneira que jogámos aqui».
Sobre os incidentes no Dragão Arena
«Não admito que coloquem em causa o meu profissionalismo, quando me acusam de ter abandonado os meus atletas. Ando no desporto há mais de trinta anos, fui insultado em muitos pavilhões e convivo bem com isso. Não convivo bem é com ataques à minha integridade. Não desejo a ninguém aquilo que passei. Mas o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Acredito muito nesta máxima».
Comentários de André Villas-Boas
«Não fizemos circo nenhum. Fui à ambulância, tinha as tensões a 17-10 e a médica deu-me um comprimido e disse-me: “você tem de se acalmar". O jogo começou, fui sentar-me à porta do balneário, num corredor, a ver o jogo com o Moga. Colocar o Moga... não sei se vocês sabem de onde é o Moga. Não sabem o que se passa no Congo? é um guerreiro, um lutador... jamais faria um exercício de circo. Não fizemos circo nenhum! Sentimo-nos mal. Não sou nenhum polícia, não trabalho no Ministério Público, sei o que me aconteceu, tive um problema de saúde e não pude ir a jogo. É isso que eu sei, não sei mais nada».
«Sou um homem saudável, sou uma pessoa que tem hábitos. Entrei no balneário, estive lá 40 segundos e saí logo. Senti-me muito mal, eu e outras pessoas. Pedi ajuda, vieram os bombeiros e disseram que iam levar-me para o hospital. Fiquei na ambulância com a médica. Passaram pessoas por mim a dizer que íamos jogar. Eu disse: “Carlos Carneiro, eu não tenho condições para tomar decisões. O que vocês decidirem, está bem”. Eu não queria jogar. Perguntei à doutora: “Posso ir?” Ela respondeu: “Quer ter um ataque cardíaco?”. Eu disse que não e fiquei ali sentado. E celebrei. Claro que celebrei e irei celebrar. Mesmo que esteja morto, vou celebrar sempre!».