«Acreditei que ali começaria a minha história de conquistas e vitórias, mas o Toni não me deu oportunidades. Fiquei até ao final da época e acabei por ser dispensado. Senti-me injustiçado. Acho que só joguei uma vez como titular. Se tivesse uma sequência de três ou quatro jogos, se calhar a minha história no Benfica, até na minha carreira, seria diferente», começa por dizer.

Em entrevista ao Maisfutebol, o jogador brasileiro relata um passado marcado pelo consumo de drogas. André garante que a dependência começou em 2002, no Brasil, mas as suspeitas já pairavam sobre ele na sua passagem pelo Benfica. Suspeitas injustificadas, lamenta: «No Benfica nunca consumi, mas não fiquei no clube porque fui acusado de comprar drogas. O presidente, Manuel Vilarinho, tinha nas suas mãos um cheque passado por mim, que lhe foi entregue dizendo que era para eu comprar drogas.»

«Serviu para pagar à empregada»

«Voltei ao Brasil com a auto-estima destruída, acabaram com os meus planos futuros. Fui acusado de consumir, fizeram-me até um controlo surpresa, às escondidas. Fui muito humilhado no Benfica. Acabei por sair por causa desse cheque, um cheque que serviu para pagar à minha empregada, e não sei como foi parar às mãos de Manuel Vilarinho como se tivesse sido para comprar drogas. Nessa altura, nunca tinha experimentado. O Jorge Mendes e o Adelson, que eram os meus empresários, também não acreditaram em mim», relata.

André realizou uma dezena de jogos com a camisola do Benfica. Marcou a abrir, frente ao CSKA de Sófia, e a fechar a época, no 4-4 frente ao D. Aves. «Tinha um contrato de cinco anos. Não sei quem fez isso comigo, mas até perdoou essa pessoa. Poderia ter tido uma carreira melhor, se não tivesse acontecido isso no final do meu percurso do Benfica. Sai do Benfica destruído, como homem e como jogador. Voltei ao Brasil acabado. Queria ter ficado em Portugal, fazer carreira na Europa», conclui.

«Marítimo? Apenas bebidas e tabaco»

O avançado brasileiro abandonou o Estádio do Luz, falhou na cedência ao Marítimo e regressou ao Brasil. Garante que iniciou o consumo de drogas em 2002, no Vitória da Bahia. Em 2004, ainda jogou mais seis meses com a camisola do Marítimo.

«Estava com problemas de drogas, quando voltei ao Marítimo, mas nunca usei em Portugal. Quando fiquei seis meses no Marítimo, em 2004, não tomei drogas, apenas bebidas e tabaco. Já agora, aproveito para agradecer a Carlos Pereira, presidente do Marítimo. Deu-me duas oportunidades e fico muito grato a ele», esclarece.