O campeão nacional deixou uma imagem horrível em terras de Sua Majestade. Fraco, fraco mesmo para um Arsenal que provou estar num patamar superior de qualidade. Técnica, física, táctica. Em tudo, sem dúvida. Jesualdo Ferreira cometeu erros, os jogadores cometeram outros tantos, os Gunners de Wenger aproveitaram com um sorriso nos lábios.

Se algum portista ainda quiser ler sobre esta história horrível, fica o registo de uma irregularidade para amenizar a goleada. Arshavin aproveitou um fora-de-jogo claro, claro como água, para lançar as bases do primeiro tento local. Depois, vem a parte má, a película de horror da defensiva azul e branco.

Rolando não conseguiu ganhar de cabeça ao pequeno Arshavin. Bendtner, o tal que não marcava nem que a sua vida dependesse disso, inaugurou a contagem.

Seguiram-se Nuno André Coelho (erro tremendo e inexplicável de casting) e Fucile. O primeiro não quis atacar a bola transportada por Song. Veio o segundo compensar, inventou e assistiu Arshavin. Este ainda surgiu no caminho do uruguaio, para dar-lhe oportunidade de redenção. Nada disso. E, com meia equipa azul e branca a olhar para o boneco, lá estava o alegre Bendtner a empurrar para a baliza deserta.

Até aqui, sobrava uma réstia de esperança para o F.C. Porto. Bastava um golo, a tal promessa de um golo português no Emirates Stadium, para recolocar os dragões na disputa da eliminatória. Falcao, inconformado como poucos, acertou em Almunia na oportunidade mais evidente (54m). Rodriguez saltou do banco ao intervalo, substituindo o bode expiatório Coelho, e cabeceou com perigo pouco depois, vendo Nasri negar-lhe o golo. Muito pouco para justificar as credenciais.

Pouco depois, inverteram-se os papéis. Nasri atacava, Rodriguez tentava defender. Ele, Raul Meireles, Alvaro Pereira e ainda Hélton. Curva, contra-curva, um caminho soberbo em direcção ao golo.

Fucile encarnava a alma penada do F.C. Porto. Cada intervenção, uma dor de cabeça e um golo adversário em potencia. A enxurrada não parava. A dada altura, num pontapé de canto, Ruben Micael decidiu servir o uruguaio em vez de lançar para a área de Almunia. Segundos depois, fazia-se a festa no Emirates. Arshavin, sempre ele, arrancou, Fucile ainda fez o carrinho mas assistiu Eboué.

Para complementar uma noite de pesadelo pessoal, lá estava o lateral a cometer um castigo máximo, para completar a obra. «Hat-trick» de Bendtner, o herói da noite, lágrimas do vilão portista.

A Liga é uma miragem, a Liga dos Campeões desapareceu do horizonte. Soa a final de ciclo. O tal Porto à Porto não veio a Inglaterra. Restam a Taça da Liga e a Taça de Portugal, troféus menores para satisfazer todos os anseios dos adeptos. Há noites assim.