«Estava a tremer, ainda sentia a adrenalina. O encontro que tive foi numa das melhores suites de hotel em Las Vegas. O meu corpo ainda estava incandescente de prazer. Isto é muito melhor do que ganhar uma corrida, pensei. Isto é muito melhor do que competir nos Jogos Olímpicos. Se soubesse como me iria sentir, nunca teria perdido tanto tempo noutra coisa.» [Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]




foi exposto ao mundo em 2012









Da bulimia à queda na final de Sidney

«Quando descobri a corrida, adorei que fosse algo tão puro. Só o meu corpo e eu. Quando entrei para a equipa de atletismo da escola, no sétimo ano, era muito mais rápida do que as outras raparigas e o treinador colocou-me a correr na equipa dos rapazes. Mas eu também já era mais rápida que a maioria dos rapazes, também. Não gostava do destaque que tinha e ir para os treinos passou a originar crises de ansiedade. Queria ganhar, mas detestava não conseguir integrar-me.» [Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]






«Não importava o quão magra estava, sentia-me sempre pesada porque eu não achava que tinha um corpo perfeito para ser atleta»


«Na noite antes da eliminatória dos 1500 metros em Barcelona [Olimpíadas de 1992], estava de volta ao lado negro que sempre me acompanhava em competição. Além disso, a Vila Olímpica estava um caos, com música alta, bebedeiras e gargalhadas. Deitei-me na cama e vi-me a falhar uma e outra vez. Acho que não dormi, de todo. A última coisa que queria fazer era correr nos Jogos Olímpicos.»
(…)
«Não conseguia concentrar-me enquanto assumia a minha posição. E depois comecei a correr. Sentia que não pertencia àqueles atletas de elite. Reforcei a ideia com uma volta e meia. Sentia que estava a correr em cima de areia. As outras passaram e eu terminei em último.»

[Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]




«Senti-me como se já tivesse perdido. Antes da final, queria fugir»

Numa final em que Portugal teve como representante Carla Sacramento«Isso significava que tinha de começar rápido para evitar ficar presa»

«Parecia que meu coração ia bater até ficar em pó. Quando ouvi o tiro, comecei a correr e, em pânico, atirei-me para a liderança, mas a cada passo que dava só pensava que queria que aquele pesadelo terminasse. A uma volta do fim, a respiração das corredoras atrás de mim ficou mais alta, o que me fez sentir como um animal a fugir do predador. As minhas pernas ficaram pesadas e a 150 metros do fim, as atletas começaram a passar-me, uma a uma. Ia ficar em último, na minha última corrida Olímpica. Não havia ouro para o Mark [marido], para o meu treinador, para os meus pais, para a memória do meu irmão falecido. De coração partido, disse a mim própria para cair. E caí.» [Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]


A queda (1min):


«Senti-me uma idiota, mas, pelo menos, não tinha de correr. Depois percebi que não podia deixar a corrida por acabar. Levantei-me a cruzei a linha de meta, mas quando os jornalistas chegaram até mim não aguentei a vergonha e caí outra vez. Fechei os olhos e senti os médicos a levantarem-me e levarem-me.» [Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]


Como Suzy Favor Hamilton passou a ser Kelly Lundy








«Ter homens a gastar dinheiro comigo arrepiava-me. Desde cedo que me diziam que eu estava destinada a grandes coisas e persegui esse sonho na pista. Agora, como Kelly, também queria ser a número um»

«Agora que dediquei a minha vida ao sexo, a necessidade de ser a melhor na cama superou a necessidade de ser a melhor na pista. Mas isto é ainda melhor, porque eu detestava a competição que tinha para ganhar uma corrida. Tudo nisto de ser uma acompanhante é muito bom. Não quero voltar à minha vida antiga. Nunca mais.» [Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]


«criar uma ligação»


«Quando corria, sentia os músculos a ceder. Foi correr que fez de mim um modelo, mesmo que eu desejasse muito pouco que isso acontecesse. Comecei a odiar a coisa que mais amava. Agora tenho um novo propósito: partilhar a minha história. Ter a coragem de continuar a lutar. Quero mostrar aos outros, especialmente à minha filha, que temos de viver por nós próprios e que com amor e ajuda é possível sair do nosso buraco negro»
[Excerto do livro «Fast Girl: Running from Madness», de Suzy Favor Hamilton]