A situação de Quique Flores já apresentou contornos mais felizes. No sábado, o jovem treinador luta pelo primeiro troféu na carreira, procurando recuperar a unanimidade de que chegou a beneficiar. A Taça da Liga é decisiva para o futuro de Quique? O leitor decide:

1. Evolução nula

Acusação (PJC): Quique Flores chegou à Luz envolvido no manto de entusiasmo que tanto uso tem por aquelas paragens. Com alguma justificação, concedo. Afinal, o espanhol é um técnico jovem, de comportamento inatacável e exemplar relação com a comunicação social. Mas isso não pode chegar. A evolução da equipa desde Agosto de 2008 até agora é praticamente nula. Jogo após jogo, semana após semana, a pobreza exibicional deste Benfica impressiona e os resultados estão à vista: na Taça UEFA e na Taça de Portugal a equipa foi eliminada demasiado cedo e no campeonato está a cinco pontos do líder. Resta a Taça da Liga.

Defesa (VHA): Boas ou más, Quique Flores tem ideias fixas e apresenta um projecto com pés e cabeça. Os responsáveis do Benfica sabiam o que esperar e fizeram uma aposta. Agora, e para contrariar o passado recente, ou até mais antigo, torna-se importante assumir o risco e reforçar a confiança em Quique. As constantes chicotadas e mudanças de rumo já causaram demasiados prejuízos desportivos ao Benfica nos últimos anos. Evolução? Basta recordar que o Benfica de Quique tem mais três pontos que na época passada, por esta altura.

2. Opções estranhas

Acusação (PJC): Comecemos pelo 4x4x2 estanque e rudimentar. Esta forma de actuar limita demasiado o talento de homens como Aimar e Reyes, por exemplo. O argentino actua demasiado à frente e raramente consegue receber e tocar a bola em condições privilegiadas; o espanhol não tem liberdade para ser o extremo desequilibrador que poderia ser noutro sistema. Ruben Amorim é um médio centro encostado à direita, David Luiz actua a lateral esquerdo sem se saber bem como. Que equipa resiste a tantas adaptações?

Defesa (VHA): Nem tudo está bem no Benfica. Sem dúvida. Mas queremos realmente acreditar que foi Quique Flores a abdicar de Nélson e Léo de mão beijada, já que falamos da falta de soluções nas laterais? Sem esperar reforços? O treinador espanhol sempre apresentou o 4x4x2 como cartão de visita. Os responsáveis do clube estavam cientes disso mesmo. Fizeram a sua escolha e Quique tem o mérito de não ceder às imensas pressões a que o treinador de um dos grandes se sujeita, no dia a dia.

3. Descontrolo

Acusação (PJC): Durante muito tempo, Quique Flores teve o mérito da honestidade e da lucidez na leitura pública dos jogos do Benfica. Provavelmente, terá sido essa franqueza e correcção a poupá-lo de críticas mais duras por parte da imprensa especializada. Mas o estado de graça do espanhol, mesmo nessa vertente, esfumou-se. As palavras desproporcionadas após a derrota contra o V. Guimarães são a melhor prova desta acusação.

Defesa (VHA): Quique Flores vacilou, teve um par de declarações sem reflexo na realidade, mas nada apaga vários momentos de uma relação franca e aberta com os jornalistas, bem como vários elogios aos seus pares. É jovem, ainda pode melhorar, mas voltemos ao ponto de partida. De que adiantaria, nesta altura, uma mudança? Se o Benfica perder a Taça da Liga, o clube deve repensar a posição de Quique? É isto que está mal no futebol português. Basta recordar o exemplo recente de Jesualdo Ferreira. O F.C. Porto sofreu pressões, decidiu manter o treinador e obteve o natural retorno. Simples e eficaz.