Se o «calcio» e o futebol português estremeceram com as transferências do sempre «viola» Batistuta para a Roma e de João Pinto para o rival de Lisboa, o futebol «español» alucina com mais uma histórica fuga de Barcelona para Madrid. Depois de Schuster e de Laudrup nas décadas de oitenta e noventa, Figo é agora o «fugitivo».

Barcelona não chora! O povo catalão é historicamente orgulhoso e dotado de forte personalidade patriótica. Entre amor e ódio a distância é curta e atitudes ou decisões incompreendidas podem acelerar esse processo. O mais amado e idolatrado jogador do Barça, transformou-se num ápice no mais odiado. Ninguém tem coragem de criticar o jogador tal foi o seu impressionante rendimento no clube; mas todos trucidam o homem que decepcionou todo um país-a Catalunha.

Quem viu os jogos de Laudrup e Schuster em Camp Nou com a camisola do Real Madrid afirma e aconselha: «Não perca em Outubro o Barça-Real Madrid com Figo vestido de branco».

Nuno prepara-te

Jogávamos contra a Fiorentina para a Liga dos Campeões e desloquei-me a Florença três dias antes para observar e analisar o nosso adversário contra o Bari.

Fui recebido com a classe e a dignidade dos grandes clubes. Na primeira fila da tribuna a família Cecchi Gori e Antognoni, na segunda Batistuta que, lesionado, tentava a recuperação para o jogo de quarta-feira, eu na terceira fila numa posição privilegiada para tranquila e concentradamente poder realizar o meu trabalho.

Durante o jogo as minhas expectativas saíram frustradas, os «tifosi» não gritavam pela sua «fiore», mas sim, incessantemente, por Batigol, que periodicamente se levantava para agradecer e pedir o apoio para os seus companheiros que jogavam. Com o gigante argentino a levantar-se e a impedir-me de ter o campo de visão adequado não tive outra solução e ao intervalo pedi a troca de assento, o que foi ironicamente compreendido pelas simpáticas meninas das relações públicas.

Nuno Gomes não podia recusar a oferta da Fiorentina: economicamente avassaladora, o prestígio do «calcio», a beleza e tranquilidade de Florença são argumentos com peso e que efectivaram a maior transferência do futebol português. Mas sabendo e vivendo in loco o significado que Batistuta tem para os «tifosi», afirmo e aviso: «Nuno, prepara-te!» que irás viver um desafio tremendo: jogar contra os adversários e contra um mito argentino. Sorte!

Pré-temporada

O meu regresso ao futebol português não está longe e logicamente que a minha atenção em relação às suas equipas aumentou. Devorar toda a comunicação social especializada é tarefa prioritária e analisar as suas pré-temporadas é de vital importância.

Desde a normalidade do tradicional, passando pela frustração do «old fashion», e terminando na alegria de sinais de evolução, fui encontrando de tudo. E se tenho que colocar no topo das minhas preferências algum comportamento indicador de uma filosofia clara, fico com a decisão de Paulo Autuori em convidar todos os técnicos do futebol juvenil do Vitória para seguirem e aprenderem a sua filosofia e metodologia de trabalho.

Já o tinha claro em relação ao meu início de carreira como treinador principal: é nossa obrigação fomentar a evolução dos técnicos hierarquicamente inferiores, sem fantasmas nem temores, mas sim com a consciência que num clube somos responsáveis pela definição clara de princípios. Parabéns, Paulo e boa sorte!