«O Barreirense apresenta uma situação de desequilíbrio financeiro. Temos reduzido as despesas, mas as receitas também têm vindo a reduzir. Temos tentado tudo por tudo, mas se calhar está na altura de se tomarem decisões eventualmente dolorosas», afirma Manuel Lopes, em declarações à Agência Lusa.

O futuro do futebol e basquetebol sénior, modalidades mais importantes do clube, está em risco. «O Barreirense não pode ter défices anuais de 300 ou 400 mil euros, não se pode desbaratar todo o património do clube. O basquetebol e o futebol seniores apresentam défices substanciais, que o clube não tem capacidade para suportar», admitiu o presidente.

Manuel Lopes acredita que dar um passo atrás pode ser a única solução para seguir em frente. «Se calhar, tem que se fazer uma travessia no deserto de três ou quatro anos, esperar pelo desenvolvimento de alguns projectos no Barreiro e depois ver as condições que existem. O clube tem a sede, o Bingo e investiu recentemente na Academia de Futebol», salienta o dirigente.

«Penso que se deve manter a formação, mas, mesmo assim, é preciso que existam apoios», lembra Manuel Lopes. «No caso dos seniores, mesmo que os jogadores joguem de borla, existe uma série de despesas a suportar», lamentou o responsável do histórico formador de Chalana, José Augusto ou Manuel Bento.

O Barreirense vai reunir-se a 11 de Maio numa Assembleia Geral para apresentação de contas e discussão da futura direcção, já que Manuel Lopes assume não continuar. «Em Setembro não surgiu ninguém, nós temos tentado tudo por tudo, mas penso que é altura de virem outras pessoas.»

Sem campo para jogar, depois da venda do campo D.Manuel de Mello também por causa da crise, o Barreirense está prestes a descer na série F da III Divisão. Há sérias possibilidades de o clube ir parar aos distritais. No basquetebol o panorama é mais animador e o Barreirense conseguiu o apuramento para os «play-off» da Liga.