O Belenenses até entrou bem no jogo, com um ritmo elevado, com Fredy, Tiago Silva e Miguel Rosa no apoio a Deyverson a empurrarem o jogo para junto da baliza de Gottardi. O Nacional, com um ritmo bem mais lento, encolheu-se perante o ímpeto do adversário, mas na primeira oportunidade que teve para esticar o seu jogo provocou severos danos na estratégia de Van der Gaag. Num alívio da defesa madeirense, Mário Rondón fugiu a toda a gente e correu que nem uma sete para a baliza de Matt Jones que foi ao seu encontro e acabou por derrubar o adversário fora da área. O cartão vermelho foi inevitável e um silêncio profundo caiu sobre as pouco povoadas bancadas do Restelo.

Van der Gaag prescindiu de Tiago Silva para voltar a ocupar a baliza com Rafael Veloso, mas os «azuis» não voltaram a ser os mesmos. Fredy e Miguel Rosa recuaram para a linha de Fernando Ferreira e Diakité e Deyverson também recuou para tapar o buraco aberto pela saída de Tiago Silva. O Belenenses perdeu profundidade e o Nacional entrou finalmente no jogo, levando a bola para o outro lado do campo. Os desequilíbrios na equipa da casa eram mais do que evidentes e o golo de Mateus, aos 23 minutos, foi apenas uma formalidade. Jogada rápida, ao primeiro toque, com Claudemir a abrir na direita para Bruno Moura que cruzou de primeira para Mateus encostar ao segundo poste.

Van de Gaag não deve ter gostado da forma como Paulo Jorge deixou escapar Mateus e trocou-o pelo reforço João Pedro, enquanto Manuel Machado, que tinha começado o jogo com Mateus e Rondón na frente, lançava João Aurélio para o lado direito, recuperando o tradicional 4x3x3, procurando tirar mais dividendos da vantagem numérica. O Belenenses reorganizou-se lá atrás e cedeu meio-campo ao Nacional. Por largos minutos, os madeirenses recrearam-se com a bola, sem subir no terreno, perante os assobios do Restelo. A equipa reagiu nos últimos instantes e ganhou novo fôlego com um golo de Miguel Rosa. Cruzamento de Fredy, falha incrível de Bruno Moura que permitiu ao médio conseguir um inesperado empate.

Manuel Machado lançou Djaniny, no início da segunda parte, fazendo recuar João Aurélio, e o Nacional entrou mais acutilante. O Belenenses nunca baixou os braços, deixando tudo em campo, com uma pressão a toda a largura do campo. Machado lançou ainda Candeias, passando a jogar em 4x2x4, mas os «azuis», apesar de mais recolhidos, não deixavam de espreitar o contra-ataque, num esforço coletivo que arrancava aplausos das bancadas e fazia esquecer a diferença numérica.

Com muita gente na frente, o Nacional não conseguia tirar vantagem na zona nevrálgica do terreno e era o Belenenses que conseguia criar mais perigo, com um futebol direto. Caso no jogo aos 73 minutos, com os jogadores do Belenenses a reclamarem por um suposto corte com a mão de João Aurélio. Logo a seguir o Nacional chega ao segundo golo, numa altura em que o Belém estava reduzido a nove, com Deyverson lesionado. Candeias escapou pela esquerda e cruzou para o desvio de primeira de Mateus. O Belenenses ainda tentou reagir e Miguel Rosa atirou com estrondo à barra, mas o Nacional acabou por matar o jogo, num rápido contra-ataque, com candeias, Djaniny e Mateus a surgirem em vantagem na área, com o angolano a fazer o 3-1 depois de um primeiro remate de Candeias.

O jogo podia ter terminado aqui, mas o Belenenses nunca se rendeu e ainda reduziu, com o golo da tarde, assinado por João Pedro, depois de um cruzamento de Miguel Rosa. Justos os aplausos dos adeptos no final do jogo.