Quique Flores mexeu na defesa e no meio-campo. Sidnei entrou para o centro da defesa e David Luiz encostou à esquerda, remetendo Jorge Ribeiro para o banco. Yebda nem sequer foi convocado e Katsouranis não entrou. Carlos Martins e Ruben Amorim assumiram as funções dos médios mais recuados, para defender e distribuir jogo. O camisola 15 não teve uma exibição muito feliz, enquanto Carlos Martins sobressaiu. Reyes entrou para a direita e Aimar ficou na esquerda.

Nos primeiros minutos ficou a sensação de que o Benfica não tinha meio-campo, com Carlos Martins e Ruben Amorim a terem dificuldades em perceber qual o seu papel em campo. O conjunto encarnado esteve em clara desvantagem, já que se tratou de um duelo de dois contra três da Académica, que tinha o meio-campo mais preenchido. Mas as transições não funcionaram ou então foram demasiado lentas, denunciadas. Muitos dos lances de ataque começaram com passes longos da defesa para os homens mais adiantados.

Os encarnados até criaram oportunidades e protagonizaram lances bonitos, mas faltou eficácia e maior objectividade. David Luiz esteve em duas dessas ocasiões, Cardozo proporcionou uma grande defesa a Peskovic e Aimar atirou à trave.

Os «estudantes» tiveram o mérito de colocar três homens à frente, com dois alas rápidos, que seguraram Maxi Pereira na defesa. Já David Luiz foi mais audaz. Isso fez com que o defesa estivesse em algumas das melhores oportunidades dos encarnados. Mas também foi ele que não esteve «lá atrás» quando Miguel Pedro entrou pela direita. Miguel Vítor, que teve de proteger o lado pertencente ao brasileiro, ofereceu o primeiro canto aos visitantes.

Uma oportunidade, um golo

Foi na sequência desse lance que surgiu o golo da Académica, aos 23 minutos. Miguel Pedro cobrou o canto e Tiero nem teve de saltar. O número 33 cabeceou e fez o 0-1. Com isto não se pretende culpar David Luiz, mas constatar que, embora o defesa tenha feito uma boa exibição, principalmente a atacar, a verdade é que continua a mostrar que não tem velocidade para se recolocar no seu lugar.

O jogo não foi bonito. O Benfica não fez um jogo brilhante, mas as melhores oportunidades pertenceram-lhe. Logo, a desvantagem ao intervalo parecia algo injusta (se é que se pode falar em justiça quando se fala em jogo, onde a sorte, o azar e uma série de elementos estão presentes).

A Briosa conseguiu um canto e aproveitou bem o lance e a passividade adversária. Sem brilhar, também soube impor alguma superioridade no meio-campo. Para além disso, notou-se entreajuda entre sectores, que recuaram em bloco para defender.

Domínio sem golos

As equipas regressaram dos balneários sem alterações. O Benfica parecia decidido a dar a volta ao resultado, mas faltava-lhe velocidade. Ainda assim, Cardozo quase marcou aos 52 minutos. A bola embateu «no ferro». Três minutos depois David Luiz, ao segundo poste, rematou para a defesa de Peskovic. Aos 58 Aimar colocou a bola dentro da baliza, mas o árbitro marcou falta de Nuno Gomes sobre Peskovic, considerando existir obstrução (um lance que promete dar que falar). Aos 81 minutos David Luiz caiu na área, mas o árbitro nada assinalou. Há uma mão de Miguel Pedro nas costas do defesa.

Na segunda parte só deu Benfica. Nem sempre bem, mas só deu Benfica. A Académica, que ficou reduzida a dez por expulsão de Hélder Cabral (73m), limitou-se a ver jogar e a tentar proteger a vantagem.