O Benfica entrou em campo apenas para cumprir uma formalidade, sem qualquer lampejo de motivação, trocando a bola sem alma, sem velocidade, sem vontade, limitando-se a explorar os muitos espaços oferecidos pelo adversário, mas sem forçar desequilíbrios. A ficha técnica até apontava para uma equipa ofensiva, com Yannick Djaló, Aimar e Bruno César no apoio a Saviola e Cardozo, mas o que se viu em campo foi uma equipa amorfa que se limitava a aceitar o que lhe era oferecido.

O Leiria, com uma equipa muito jovem, com quatro juniores e uma média de idades inferior a 21 anos, apresentou-se em campo com Keita entre duas linhas de quatro jogadores e Djaniny mais adiantado. Um conjunto que se destacou pela enorme disponibilidade para fazer compensações e manter o equilíbrio, sobretudo, em termos defensivos, mas longe do chamado «autocarro». Mérito para José Dominguez que, em poucos dias, conseguiu juntar um grupo de jogadores, a maioria com pouca experiência ao mais alto nível, e colar-lhe algumas noções básicas do que é jogar como uma equipa.

Confira a FICHA DO JOGO e as notas dos jogadores

Ao primeiro apito de Rui Costa, o Benfica instalou-se no meio-campo do Leiria, mas com um futebol lento e previsível, permitindo ao adversário, com mais ou menos dificuldades, ir resolvendo todos os problemas que os encarnados lhes criavam. Esperava-se uma equipa a jogar para Cardozo e a primeira oportunidade até foi para o paraguaio, na marcação de um livre, mas depois o avançado, bem marcado pelos centrais do Leiria, esteve muito tempo fora do jogo. A juntar-se à evidente falta de motivação da equipa, juntaram-se os protestos das claques contra a direção, equipa técnica e jogadores. Em resumo, um ambiente muito estranho neste final de festa na Luz.

O segundo livre do jogo, aos vinte minutos, já não foi para Cardozo, foi para Bruno César que, em jeito, abriu o marcador. Um golo que garantia um dos objetivos, mas que era insuficiente para satisfazer os mais de trinta mil adeptos que foram à Luz com a esperança de ver mais golos no adeus à equipa. No lance seguinte o empate até esteve à vista, na sequência de um livre, Nicklas cruzou tenso e Ogu cabeceou por cima da trave. O Benfica só conseguia conseguia imprimir velocidade quando a bola passava pelos pés de Maxi ou Aimar, mas o benfiquista mais rápido em campo era mesmo Nicklas que voltou a estar em evidência, antes do intervalo, com um cruzamento tenso para Shaffer ficar novamente perto do empate.

Pelo meio, duas perdidas incríveis de Cardozo, uma delas depois de um lance quase perfeito de Aimar. Muito pouco. Jorge Jesus procurou oferecer mova dinâmica logo a abrir a segunda parte, trocando Saviola por Rodrigo e, já com o jogo a decorrer, lançou ainda Nélson Oliveira para o lugar do apagado Yannick Djaló. Mais do mesmo. O mal era coletivo, não de um ou outro jogador. Cardozo voltou a desperdiçar uma oportunidade flagrante, Witsel também e, até final as únicas palmas que se ouviram foram para Aimar, quando foi substituído, e para Maxi.

Uma vitória com sabor a derrota que confirma, matematicamente, a despromoção do Leiria que saiu da Luz sob aplausos.