Afinal os receios eram fundamentados: a Académica, recorde-se, apresentou-se na Luz com o rótulo de pedra no sapato, ela que nos últimos cinco anos tinha vencido três vezes na catedral encarnada. Desta vez, as estatísticas foram mais do que isso. Foram um prenúncio. A metáfora fazia sentido.

No final o Benfica ganhou, já se sabe. Mas foi uma daquelas vitórias sofridas, arrancadas do fundo da alma, no último suspiro do jogo e na sequência de um penalty que é no mínimo polémico - mas sobretudo é desnecessário, de João Dias: a jogada nem sequer apresentava qualquer tipo de perigo.

A grande penalidade, aquela grande penalidade, naquele instante final do jogo, vai naturalmente criar muita polémica, mas sobretudo, e neste momento em que se escreve ainda a quente, veste o jogo de toda a lógica: o Benfica foi a única equipa que quis ganhar e merecia sair com a vitória.

Confira a ficha de jogo e as notas dos jogadores

Num longo exercício defensivo, daqueles capazes de impacientar o mais chinês dos adeptos, a Briosa pouco mais fez do que montar um enorme esquema defensivo à frente da baliza de Ricardo e com mais pernas do que árvores na floresta amazónica tapar qualquer caminho para o golo.

No fundo foi cumprindo bem o desígnio a que se propôs. Basta dizer que não fez um remate à baliza de Artur: ora por aí está tudo explicado. Wilson Eduardo e Marinho, de resto, foram mais laterais do que extremos, o que levou o jogo para cima da baliza de Ricardo ininterruptamente.

Destaques: Lima, claro, e um enorme Ricardo

O Benfica, esse, aceitou o convite e passou o jogo a olhar a baliza adversária. Sobretudo na segunda parte, a pressão chegou a ser enorme. Houve duas bolas nos ferros (Rodrigo e Melgarejo), uma grande defesa de Ricardo e uma série de situações aflitivas para a Académica. Foi pouco, claro.

Foi pouco sobretudo porque o Benfica pareceu entrar tarde no jogo. É certo que nos primeiros dez minutos criou duas situações de perigo, numa delas Lima rematou até às malhas laterais, mas faltou um ritmo de ataque que enconstasse desde logo a Académica às cordas. Quando o fez, já era tarde.

Recorde como vivemos o jogo no estádio

Se calhar ainda inebriado pelo sucesso de Leverkusen, o Benfica passou muito tempo demasido preso de movimentos. Lento, no fundo. As saídas para o ataque eram denunciadas e esbarravam na muralha negra. Só mesmo as subidas de Maxi Pereira pareciam criar os desequilíbrios necessários.

Chegou para criar uma mão cheia de ocasiões de golo, não chegou para desfazer o nulo inicial. Na segunda parte, de resto, as distâncias aumentaram. O Benfica lançou-se com fúria para o ataque e obrigou a Académica a perder a vergonha: tornou-se num daqueles adversários de antigamente.

Só que a segunda parte, lá está, sobretudo os vinte minutos finais da segunda parte pareciam tornar a noite muito tardia. O Benfica insistia, insistia, insistia, mas batia sempre na muralha negra. Até que chegou a grande penalidade: polémica, sim, mas sobretudo muito desnecessária, repete-se.

Não houve besta negra, mas houve a normal pedra no sapato.