Se o Benfica venceu o F.C. Porto, no último Clássico de 2009, também será justo dizer que Jorge Jesus levou a melhor sobre Jesualdo Ferreira. Não apenas pelo resultado, mas também pelas opções tomadas. Se ambos os técnicos decidiram inovar na escolha dos «onzes», é certo que as surpresas de Jesus foram mais rentáveis. Jesualdo dispunha de mais soluções para virar o marcador, mas o F.C. Porto não conseguiu evitar a derrota.
O Benfica consegue a vitória, essencialmente, pelo belo primeiro tempo que produziu. O F.C. Porto melhorou na segunda parte, mas ainda assim criou muito pouco perigo, e acabou por ser penalizado, terminando o ano com quatro pontos de diferença para o rival (e para o Sp. Braga, claro).
Jesus escolheu melhor a surpresa
Jesualdo Ferreira adivinhou a titularidade de Ramires, mas certamente não estava a contar com Urreta. Jorge Jesus surpreendeu com a escolha do uruguaio, que ainda não tinha feito qualquer jogo oficial na presente temporada. Do lado do F.C. Porto também houve uma surpresa, ainda que em menor escala. Belluschi ficou no banco e Guarín foi promovido à titularidade, com Hulk, Falcao e Rodríguez no ataque.
A ideia do técnico do F.C. Porto seria reforçar o meio-campo, e superiorizar-se nessa zona do terreno, mas foi aposta perdida. O primeiro remate até foi dos «dragões», mas a primeira parte foi dominada pelo Benfica. Na etapa inicial, a equipa casa foi superior ao centro (Carlos Martins em destaque), à esquerda (Urreta e Peixoto mais fortes que Fucile e Hulk) e à direita (sintonia total entre Maxi e Ramires).
O Benfica nem sempre foi esclarecido junto à baliza, mas chegou à vantagem aos 23 minutos, por intermédio de Saviola. O argentino «escondeu-se» mais uma vez nas costas da defesa (movimento que usa frequentemente) e aproveitou um alívio de David Luiz, que apanhou a defesa portista em contra-pé. Alvaro Pereira colocou Saviola em posição regular, depois de, momentos antes, ter evitado o golo de Cardozo em cima da linha de golo.
A diferença de soluções, e o erro de Lucílio
Jesualdo Ferreira abdicou de Guarín ao intervalo, reconhecendo, de certa forma, a sua má aposta inicial. Entrou Varela, e o F.C. Porto apresentou melhorias. Ainda que o primeiro remate de verdadeiro perigo só tenha aparecido aos 62 minutos, com Alvaro Pereira a obrigar Quim a uma bela defesa.
Ao perceber que o meio-campo estava em quebra (Martins e Urreta acusaram a falta de ritmo), Jesus decidiu lançar Luís Filipe e Weldon.O técnico do Benfica começava a sofrer com a escassez de opções, e pouco depois foi forçado a esgotar as substituições, quando Ramires teve de sair lesionado.
O Benfica começava a ficar encostado às cordas, mas aos 73 minutos até podia ter sentenciado o jogo, se Lucílio Baptista tivesse visto uma mão de Crístian Rodríguez na área. Erro tremendo do árbitro, já que o lance é perfeitamente claro.
Jesualdo Ferreira, mais abastado em soluções, ainda lançou Farías e Belluschi, mas o Benfica ainda reuniu forças que parecia já não ter, e conseguiu devolver o adversário ao seu meio-campo defensivo, fortalecendo assim o mérito do triunfo.