O vice-presidente do Benfica, José Gandarez, confirmou esta quinta-feira que os encarnados vão recorrer da decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que indeferiu o projeto radiofónico do grupo Bauer e do Benfica, por não reunir os pressupostos legais necessários à sua aprovação, acrescentando que o clube vai levar o assunto ao Parlamento.

«O Benfica vai recorrer desta decisão e estamos a ponderar a eventual participação criminal, podem estar em causa ilícitos criminais. E acho que este processo tem de ser escrutinado. Nós vamos, entre hoje [quinta-feira] e amanhã [sexta-feira], pedir audiências a todos os grupos parlamentares, iremos levar todos os dossiers que temos para explicar a todos os deputados o que se passa e que isto não se repita com mais ninguém», afirmou Gandarez, em declarações à Benfica TV, esta tarde.

O dirigente reforçou que a deliberação gera «uma onda de indignação, porque é uma decisão sem fundamentação legal e que deve envergonhar os juristas e as pessoas que tomaram esta deliberação».

 «É uma deliberação que revela uma atitude persecutória desde início contra o projeto do Benfica e não estávamos à espera desta decisão, até porque antes de lançarmos o projeto, sabíamos o que estávamos a fazer. Estamos surpreendidos, indignados e é uma decisão que deve envergonhar o Conselho Regulador da ERC», prosseguiu Gandarez, atirando-se até à presidente da ERC, Helena Sousa, e a possíveis razões «clubísticas».

«A ERC não tem o direito, nem os poderes, de previamente dizer que uma rádio que não autorizou a emitir, não é plural. Há um preconceito total deste Conselho Regulador e em especial do presidente da ERC, provavelmente por razões clubísticas, não sei. Nós vamos ser totalmente transparentes, não estamos em competição com a ERC», referiu, frisando que a «decisão da ERC ignorou olimpicamente» a «contestação» dos encarnados.

«Relembro que eram dois os grandes argumentos da ERC para inviabilizar este projeto pioneiro do Benfica, sendo que antes disso, a ERC consultou a Comissão Europeia para saber se era possível o Benfica ter uma rádio e mesmo aí foi-lhes dito que sim. Basicamente eram dois argumentos grandes: por um lado, o projeto Benfica FM implicava uma menor diversidade junto das frequências FM que estávamos a ter acordo com a Bauer, nomeadamente na Grande Lisboa e no Grande Porto. Ou seja, segundo a ERC, a Batida FM, que é uma rádio de nicho, chegava a mais público do que a Benfica FM. Dá vontade de rir, mas ela disse isso. Nós demonstrámos, na nossa contestação, que não seria assim. E agora a ERC, muda a semântica. Até leio o que a ERC diz. Já não diz que “implica uma menor diversidade, mas diz que não se traduziria num efetivo reforço da diversidade”», citou Gandarez.

O Conselho Regulador da ERC indeferiu, a 25 de março de 2026, «o requerimento do operador BMHAUDIO Portugal Holdings» para modificação de projeto «dos serviços de programas Batida FM, Batida FM Moita, Batida FM Maia e Batida FM Cantanhede de tipologia temática musical para temática desportiva informativa». Como consequência, «deliberou não apreciar a associação destes serviços de programas com a Golo FM (Bombarral), do operador Benfica FM, Unipessoal, Lda., e a identificação comum em antena como 'Benfica FM'», lê-se na decisão da ERC.

Na avaliação da ERC, «esta alteração não se traduziria num efetivo reforço da diversidade da oferta radiofónica nas áreas geográficas de cobertura relevantes – concelhos de Amadora, Moita, Cantanhede e Maia – mas na mera substituição de uma tipologia temática por outra, sem acréscimo de pluralidade de conteúdos disponíveis aos ouvintes locais e com potencial de reduzir o espectro potencial de audiência, atendendo ao carácter mais segmentado da programação desportiva». Além disso, para o regulador dos media, «subsistem fundadas dúvidas quanto à salvaguarda da independência editorial, tendo em conta que o modelo apresentado evidencia uma participação relevante do SL Benfica na conceção e estruturação dos conteúdos programáticos, que se mostra incompatível com o regime jurídico aplicável aos operadores de rádio e com o princípio da especialidade».