Michel e Luisinho preparam-se para assinar contrato com o Benfica, como o Maisfutebol avançou em primeira mão, nesta quinta-feira. O futuro dos jogadores do Paços de Ferreira dependerá de Jorge Jesus. Podem ser integrados no plantel principal ou rodar em outros emblemas do escalão principal.

Benfica negoceia Luisinho e Michel

O avançado brasileiro tem 25 anos, enquanto o lateral esquerdo chega a um grande aos 27 anos. Em comum, os anos perdidos nos escalões inferiores do futebol português. Chegaram à Mata Real no início da temporada e, agora, dão o salto para o Benfica.

Para Vítor Emanuel, médio pacense com um percurso semelhante, os clubes de topo devem perceber que há talentos por explorar nas divisões mais baixas. «Isso está comprovado, as escolhas dos grandes vão sempre para jogadores estrangeiros, deviam olhar mais para o mercado português. Esta acaba por ser uma boa notícia.»

Quem segue o futebol português admite a comparação: Michel tem algumas semelhanças com Hulk na potência de remate e compleição física, embora seja um elemento (bem) menos veloz; Luisinho, convertido a lateral esquerdo, tem o perfil de Fábio Coentrão.

Do salário mínimo na estamparia para a Luz

A história de Michel reserva capítulos inusitados. Antigo jogador de futsal no Japão, o brasileiro regressou ao seu país para lidar com a incerteza em torno do seu futuro. Em 2008, apareceu no Penafiel e começou a crescer.

A 30 de Setembro de 2011, em conversa com o Maisfutebol, o jogador recordava as dificuldades. «Agora estou muito bem mas já passei por muitas dificuldades. Quando cheguei a Portugal, fui trabalhar como auxiliar de estamparia. A estampar camisolas e coisas assim. Isso era vida muito dura. Tinha muitas dificuldades, ganhava o salário mínimo e tinha filhos em casa para criar.»

«O Michel apareceu no Penafiel como jogador ser contrato, para treinar. Via-se logo que tinha algo especial. Tem um dom natural para o futebol e acho que não conseguiria fazer outra coisa que não fosse jogar futebol. Pela qualidade dele, pode chegar muito longe», frisa Vítor Emanuel, que o conhece há quatro anos.

Paços de Ferreira foi a porta de entrada na Liga. Marcado por um atraso na viagem para a Luz e pela morte do seu empresário no regresso, na sequência de um acidente automobilístico, Michel conseguiu ainda assim disputar 28 jogos no campeonato, marcando 9 golos.

Extremo convertido a lateral aos 26 anos

Para Luisinho, esta foi uma corrida contra o tempo. Quando começou a conquistar o seu espaço na Liga, os adeptos sorriram perante a perspetiva de um talento para o futuro. O nome e a figura iludiam. Parecia o jovem, mas caminhava já para os 27 anos.

Curiosamente, o tempo perdido nos escalões inferiores tem uma explicação simples: até à última época, Luisinho era extremo. Aliás, foi contratado pelo Paços de Ferreira nesse pressuposto. Vítor, seu companheiro de equipa, acrescenta até um pormenor.

«Se repararem, o Luisinho marcou o primeiro golo do Paços esta época. Em Setúbal. Mas jogando como extremo. Depois, o Nuno Santos ficou indisponível e o treinador decidiu apostar no Luisinho. Acho que foi o melhor lateral esquerdo da Liga, se considerarmos que o Alvaro Pereira falhou a parte final. O melhor português foi, sem dúvida», diz o médio ao Maisfutebol.

As semelhanças com o percurso de Coentrão são incontornáveis. «Se há um jogador parecido, em termos de caraterísticas, com o Luisinho, é o Fábio Coentrão. Podem pensar que 27 anos já é tarde, mas não concordo. Está na altura ideal, é a idade em que os jogadores estão no topo da sua evolução», remata Vítor.