Muitos se lembrarão daquele Benfica pesado que se despediu de 2023/24, arredado de todas as competições e praticamente numa guerra civil entre muitos adeptos e o treinador Roger Schmidt, com Rui Costa também visado.
Ora, muito se diz que a viragem do ano é um belo propósito para se propor novos desafios e mudar algumas. Para esta águia, bem pode dizer-se que a viragem da temporada permite uma lavagem de cara que beneficia toda a gente.
O Benfica regressou esta quinta-feira a casa, ao Estádio da Luz. Defrontou o Brentford, com quem empatou (1-1), num jogo em que fez o suficiente para vencer e que permitiu a algumas caras novas mostrarem-se.
Mas mais do que isso, mostrou uma trégua entre bancada e relvado, adeptos e treinador, que permite aos encarnados trabalharem com outra tranquilidade neste início de 2024/25.
Bah, a única novidade de Schmidt
No relvado, de resto, Schmidt apostou no onze que já havia começado de início diante do Almería, com uma exceção: regressado das férias, Alexander Bah somou os primeiros minutos de competição, enquanto Tiago Gouveia começou no banco.
O Benfica da primeira parte foi um Benfica dominador e que controlou quase sempre as operações, embora com algumas dificuldades na transição defensiva – que já vêm da campanha passada.
No entanto, é justo dizer que esse domínio não se traduziu propriamente num grande volume ofensivo, isto é, em grandes oportunidades. O Brentford marcou cedo, aos oito minutos, quando Mbeumo aproveitou um passe em falso de Morato.
A partir daí só deu Benfica, é verdade, mas sempre com algumas dificuldades para criar um jogo ofensivo condizente com os intérpretes em campo. Na esquerda, Aursnes e Carreras estiveram em bom plano, mas foi uma águia desequilibrada.
Desequilibrada porque na direita Neres teve uma noite mais discreta e Bah, como é normal, ainda está à procura do melhor ritmo. No meio, Florentino e Leandro Barreiro são uma dupla claramente mais talhada para o momento defensivo, e que fica curta no processo ofensivo.
Ainda assim, deu para fazer o empate, precisamente numa jogada construída por Aursnes e Carreras, na qual o espanhol assistiu para a finalização de Pavlidis – voltou a estar em bom plano, tal como Marcos Leonardo.
Prestianni, Arthur e João Mário, um trio que mudou a águia
Ao contrário do que tinha acontecido nos outros particulares, desta vez Schmidt só mudou cinco peças ao intervalo: saíram Bah, Carreras, Neres, Marcos Leonardo e Pavlidis, entraram Tiago Gouveia, Beste, João Mário, Prestianni e Arthur.
E os primeiros 15 minutos foram o melhor período da águia na partida – os tais 15 minutos à Benfica. Prestianni voltou a estar em evidência e agitou muito com o jogo, Arthur Cabral foi sempre uma referência para a equipa e também esteve em bom plano, e João Mário, sempre criterioso, deu outra fluidez ao jogo com bola da equipa.
Não marcou o clube da Luz, apesar disso, mas os apontamentos foram vários, e de qualidade – Prestianni e Arthur revelaram um bom entendimento.
Os minutos passaram, mais substituições foram feitas, e o encontro entrou mais num registo de pré-época. Os tais 15 minutos é o que sobressai desta noite, em que a Luz apareceu de cara lavada.
Domingo há outro teste para o Benfica, novamente em casa, diante do Feyenoord.