A direção do Benfica emitiu, através dos canais oficiais do clube, um longo comunicado em que anuncia sete medidas para contrariar aquilo que apelida de «desvirtuar» da «verdade desportiva» nas últimas jornadas do campeonato e na Taça de Portugal.

Em primeiro e segundo lugar, o Benfica vai participar disciplinarmente a equipa de arbitragem da final liderada por Luís Godinho, bem como os jogadores Maxi Araújo e Matheus Reis pelo episódio em que as águias ficaram a reclamar expulsão sobre falta em Andrea Belotti, aos 90+4m da final da Taça.

Além disso, exige a divulgação das comunicações de áudio entre o VAR e Luís Godinho, bem como das notas dadas pelo Conselho de Arbitragem da FPF. Prometem ainda uma exposição à FIFA, à UEFA e ao IFAB pela «ilícita aplicação do protocolo VAR», exigindo ainda uma posição pública do Conselho de Arbitragem.

O Benfica promete também «suspender a participação nos grupos de trabalho da Liga Centralização e solicitar ao Governo uma audiência com caráter de urgência», finalizando com uma medida drástica: «Enquanto a verdade desportiva não prevalecer nas competições nacionais, o Sport Lisboa e Benfica estará indisponível para acolher jogos da Seleção Nacional no seu Estádio», terminam.

Recorde-se que Rui Costa e Bruno Lage criticaram abertamente a arbitragem da final da Taça de Portugal, num registo que não é muito habitual pelo menos para o presidente do Benfica. Os encarnados perderam por 3-1 com o Sporting no Jamor, após prolongamento.

Leia o comunicado na íntegra:

«No decorrer do atual mandato e sempre em defesa do futebol nacional, da credibilização desta indústria e do fair play, da valorização das competições e do espetáculo, o Sport Lisboa e Benfica manteve uma postura de grande seriedade, intervindo de forma construtiva e positiva junto das instituições sempre que considerou necessário e não na praça pública.

Acreditámos que o futebol nacional teria muito a ganhar se a maior instituição desportiva do país, o Sport Lisboa e Benfica, assumisse esse papel de enorme responsabilidade. E fizemo-lo na defesa intransigente do futebol português. No entanto, somos obrigados a admitir que o caminho de valorização não foi respeitado pelas entidades que o tutelam.

Em face dos graves acontecimentos das últimas jornadas da Liga Portugal e da final da Taça de Portugal, que desvirtuaram por completo a verdade desportiva, com prejuízo relativo à entrada direta na Liga dos Campeões, o Sport Lisboa e Benfica decidiu:

1 – Participar disciplinarmente da equipa de arbitragem e de VAR do jogo da final da Taça, a saber: Luís Godinho, Tiago Martins e respetivas equipas;

2 – Participar disciplinarmente dos jogadores Matheus Reis e Maxi Araújo pelas múltiplas agressões ao jogador Andrea Belotti;

3 – Exigir a divulgação imediata dos áudios entre Árbitro e VAR da final da Taça de Portugal, bem como as notas que lhes venham a ser atribuídas;

4 – Fazer uma exposição à FIFA, à UEFA e ao IFAB, em face da ilícita aplicação do protocolo VAR em Portugal, que colocou em causa a verdade desportiva;

5 – Exigir ao recém-eleito Conselho de Arbitragem uma posição pública, onde apresente medidas e soluções concretas que corrijam a sua atuação, sob pena de não ter condições para continuar em funções;

6 – Suspender a participação nos grupos de trabalho da Liga Centralização e solicitar ao Governo uma audiência com caráter de urgência, informando-o de que, neste momento, não estão reunidas as condições para avançar com este processo;

7 – Informar a FPF que, enquanto a verdade desportiva não prevalecer nas competições nacionais, o Sport Lisboa e Benfica estará indisponível para acolher jogos da Seleção Nacional no seu Estádio.

O Sport Lisboa e Benfica exige que a próxima temporada seja decidida em campo, de forma transparente, o que não sucedeu na época desportiva que agora finda.

Nós assumimos sempre as nossas responsabilidades. Exigimos que quem tutela e rege o futebol português também assuma as suas.»

[Notícia atualizada às 19h35]