Roberto, atributos e preocupações

Veio para garantir pontos, sob o pesado rótulo de 8,5 milhões de euros. Não vale a pena dissecar o negócio e a aposta do Benfica neste espanhol. Importa, isso sim, referir que não é tão mau como o pintam, nem tão bom como dele quiseram fazer. É ágil, fez algumas boas defesas, tem boa estampa e¿ muitas deficiências ao nível do posicionamento e no timing de sair da baliza. Nos dois golos pouco podia fazer, principalmente no segundo. No primeiro, Rolando cabeceia muito em cima e limita-lhe a possibilidade de defesa.

Benfica-F.C. Porto, 0-2 (destaques dos dragões)

Carlos Martins, um fogo que arde sem parar

Um poço sem fundo de emoções. Consome-se a si mesmo no caldo efervescente de uma personalidade muito própria. Não deve, aliás, ser fácil tê-lo como companheiro de equipa, tal a forma como vive o jogo. Grita, gesticula, fervilha, desespera. Dito isto, é justo reconhecer também o muito que joga. Chega a transportar a equipa às costas com a sua crença. Bom remate, forte e rasteiro, num livre aos 20 minutos. Baixou de nível e desapareceu na fase final.

Saviola, do oitenta ao oito

O melhor do Benfica na primeira parte, naquele estilo inconfundível. Surgiu com um cruzamento perigoso na esquerda, apareceu num pontapé às malhas laterais após passe de Peixoto e brilhou em dois túneis consecutivos a jogadores do Porto. Perdeu fulgor, ânimo e intensidade na etapa complementar, ressurgindo a seis minutos do final, para falhar um golo isolado perante Helton.

Fábio Coentrão, no meio-campo sem deslumbrar

É o melhor lateral esquerdo português e um dos melhores médios desse flanco. Colocado no quarteto da intermediária, conquistou faltas atrás de faltas, mas sempre longe de deslumbrar. É sempre uma opção válida para o lugar de Di María, naturalmente, mas o Benfica tem mais a ganhar com Coentrão na defesa.

Luisão, girafa sem pernas

Sem ritmo, sem condição física, foi ultrapassado por Varela com uma facilidade deprimente no segundo golo do F.C. Porto. Jorge Jesus só aí percebeu que as pernas da girafa já há muito pediam descanso. Tem de treinar muito até voltar ao seu nível. Momento positivo: evitou quase em cima da linha de baliza um golo a João Moutinho, perto do intervalo.

Aimar e Cardozo, as decepções da noite

Mais o paraguaio do que o argentino. Jogo para esquecer. Cardozo esteve distante, abúlico, sem ponta de sangue a correr-lhe pelas veias. Pablo Aimar ainda recuou no terreno, pediu a bola, mas sempre demasiado desinspirado, a optar pelo óbvio.