José Mourinho, treinador do Benfica, comenta, recorrendo à Declaração Universal dos Direitos Humanos, a polémica que envolveu Gianluca Prestianni e Vinicius Júnior. E deixa uma garantia:

Caso Vinicius-Prestianni

«Amo o Álvaro e vou continuar a amá-lo, mas acho que quem tomou a posição correta fui eu, e não ele. Mencionei isso na conferência de imprensa em que fui confrontado com as declarações do Álvaro e de um jogador, na acusação ao Prestianni e na defesa do jogador do Real. Disse que se há alguém que não está a ser equilibrado, eu quero ser. E sê-lo foi nem defender o meu, nem atacar o outro. Numa flash interview anterior à conferência de imprensa, utilizei a terminologia “não quero vestir a camisola vermelha nem a branca”. Quero ser imparcial num caso que eventualmente poderá ser de grande gravidade. Aquilo que disse de perderem 10 minutinhos a lerem a declaração universal dos direitos humanos refere-se exatamente à presunção de inocência. E quando digo que enquanto cidadão sou completamente uma pessoa que repudia qualquer tipo de discriminação, preconceito, ignorância ou idiotice, digo que eu fiz isso e os outros não o fizeram.»

«Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e os do Benfica, a sua carreira com um treinador que se chama José Mourinho ou num clube que se chama Sport Lisboa a Benfica chega ao fim. Não é que seja um letrado, mas também não sou um ignorante. Presunção de inocência é um direito humano, ou não? Infelizmente, a UEFA, para afastar o jogador do jogo, descobriu o artigo 426.328 que estava lá escondido. E também eles foram nessa direção de não se pôr um “se”. Eu continuo na minha: se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele da mesma maneira como o tenho feito e comigo acabou. Mas tenho de pôr muitos “ses” à frente.»

«Normalmente, consigo antecipar o tipo de perguntas que me vão fazer, mas desta vez errei estrondosamente porque, depois de um tsunami de críticas, esperava que alguém me desse oportunidade de dizer alguma coisa relativamente a isso, mas parece que não. Eu, enquanto cidadão e treinador, repudio veementemente qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Ponto final, parágrafo. Aconselho veementemente algumas pessoas a perderem cinco minutinhos e a lerem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. São só 30 pontos, mas há um ou dois que me parecem ser fundamentais. E a terceira coisa que queria dizer era que as críticas refletem mais aquilo que são os críticos do que o que foi criticado. Seria mais justo se direcionássemos as coisas noutro sentido. Que crédito é que vocês têm para em alguns meses esta equipa passar de ser humilhada em casa contra o Qarabag a jogar três jogos contra o Real Madrid da maneira como jogou e de ter saído da competição do modo como saiu.»

Sidny pediu a camisola a Vinicius após o jogo em Madrid

«Não acho que seja criticável, mas seria evitável. Não é criticável porque é uma prática normal jogadores trocarem camisolas, em jogos grandes e que marcam uma carreira. E ainda mais que tentem trocar a camisola com jogadores com que se identifiquem, admiram por serem de nível estratosférico ou de quem foram companheiros. Vejo simplesmente que seja evitável em função do que aconteceu durante a semana, mas não mais do que isso.»