José Mourinho elogiou o crescimento de Andre Schjelderup e explicou a opção por três médios no dérbi que o Benfica venceu o Sporting em Alvalade com um golo ao cair do pano.
Schjelderup tem vindo a crescer, era suposto ser ele a marcar o penálti?
«O marcador de penáltis se estivesse em campo seria sempre o Pavlidis. Com o Pavlidis no banco, tínhamos dois jogadores e um dos quais era o Andreas. Ele está num momento de autoestima grande».
Conta com Schjelderup para a próxima época?
«Obviamente que conto com ele para a próxima época. Os treinadores querem contar sempre com os melhores jogadores, querem sempre contar com um dos jogadores que teve maior evolução nestes sete meses em que estou aqui. Esses jogadores entram sempre nas minhas prioridades. Sabíamos que este era um jogo que se podia decidir na loucura dos últimos minutos. Loucura para os dois lados. Eles podiam ganhar. Normalmente quando o Benfica vem a Alvalade, um empate é um resultado aceitável, mas hoje não era assim. Sabíamos que o jogo se podia resolver nesta loucura, nestes desequilíbrios na parte final do jogo e ter no banco estes três atacantes que puderam dar outro cariz ao jogo... Mesmo quando o Sporting estava a dominar, sentia-se que o Benfica podia marcar. Isso é importante porque até inibe o adversário a ser verdadeiramente ofensivo. Houve sempre ali um pé à frente e um pé atrás. Foi um jogo estratégico também».
No final do jogo o que pretendeu dizer com aquele gesto [apontou para o nome na camisola depois para a cabeça]?
«Interprete como quiser. Deixo ao seu critério. Hoje podem mudar a narrativa. O Benfica não perdeu nenhum dos cinco jogos grandes de campeonato. Ainda vamos jogar com o Sp. Braga, vamos ver se conseguimos ganhar esse também».
Qual o impacto deste dérbi na equipa?
«Se há uma coisa que é difícil, é manter o nível de ambição, de profissionalismo, quando estás sempre fora dos objetivos. A coisa mais natural esta época seria o Benfica colapsar. O Benfica desde o primeiro dia nunca está onde quer estar. Quando empata o primeiro jogo já não está no primeiro lugar. Depois nunca esteve onde quer estar. Isto é uma coisa que faz mal, que pode desmotivar e pode fazer baixar a guarda. Se estes jogadores têm mérito é que nestas trinta jornadas nunca estiveram nem em segundo, mas mantivemos sempre este respeito pelo clube, pelos adeptos, por nós próprios. Nós ganhávamos e o Sporting ganhava. Nós ganhávamos e o FC Porto ganhava. Este tipo de resiliência é um mérito fantástico dos nossos jogadores. Teve aquele momento contra o Casa Pia que a mim me mata. Mata-me porque é antinatura em relação ao que nós somos porque é um jogo que nos deixa sem controlar nada. Mesmo ganhando hoje, é o Sporting que está em controlo».
Tem por regra não falar com os jogadores a seguir aos jogos, neste caso abriu uma exceção?
«Não. Dei um abraço, uma palmada, mas não fui fazer discurso nenhum. Sei que é um dérbi, era a última bala que tínhamos. Como disse ontem, mesmo que fosse num torneio de verão no Algarve, é um dérbi, é diferente de todos os jogos, mas não ganhámos nada. Ganhámos um dérbi e nada mais».
Sobre a aposta nos três jogadores no meio-campo
«Há duas coisas distintas. Uma é a pressão alta e outra é baixar o bloco. Com o bloco baixo, o que queríamos fazer com o Rios e com o Aursnes era controlar o jogo entrelinhas, onde aparecem o Pote e o Trincão. Quando o bloco baixava e esses jogadores saíam na profundidade, precisava de outro jogador que me fechasse a zona central de maneira a que estivéssemos sempre compactos. Rafa e Sudakov são dois “10's” que não o fazem por natureza. Fazem pressão na frente, mas depois não controlam o que está por trás. O Barreiro faz, foi a jogar naquela posição que ele cresceu no início da minha chegada. Mesmo empatado, não quis mexer naquela organização, quis sim mexer nos três da frente e acho que é aí nós conseguimos virar o domínio do Sporting. Foi inverter o papel do atacante, com dois alas pare irem. Podia ter corrido mal, mas correu bem».