José Mourinho, treinador do Benfica, na conferência de imprensa que se seguiu ao triunfo sobre o Vitória (3-0), em jogo da 27.ª jornada da Liga
Resultado traduz exibição do Benfica?
«Os dois primeiros golos surgem dessa pressão alta que nós organizamos bem e que nós trabalhámos bem durante a semana, mas a partir de metade da primeira parte eles, de maneira inteligente, posicionaram os jogadores de modo diferente e foi mais complicado para nós. Não os pressionamos nesse período até ao final da primeira parte, porque os jogadores estavam um bocadinho confusos com a dinâmica posicional do Vitória diferente da que tínhamos preparado. Ao intervalo fizemos uma boa seleção de imagens da primeira parte, analisámos, definimos os timings e a pressão para essa pressão e depois, na segunda parte, voltámos a controlar. O segundo golo acaba com o jogo».
«Na parte final, já com gente fresca, voltamos a pressionar mais alto, apesar de já estarmos a ganhar por 3-0. Foi quando o jogo podia ter ido para números que seriam tremendamente injustos para o Vitória. Não nos criaram praticamente perigo, mas roubaram-nos a bola, tiraram-nos a iniciativa, obrigaram-nos a baixar linhas e conseguiram equilibrar o jogo.»
Sporting está mais pressionado depois do resultado de hoje?
«Não faço a mínima ideia se lhes causará mais pressão. Principalmente para o FC Porto, a diferença é significativa. No caso do Sporting, como ainda temos um jogo para jogar, três pontos de diferença deixam ainda um ponto de interrogação grande».
No contexto do campeonato, ficou contente com a continuidade de FC Porto e Sporting nas competições europeias?
«Não, fiquei contente pelo futebol português porque são pontos importantes. Fiquei contente pelo Rui Borges que foi massacrado por um jogo que não devia ter perdido. Ok, eu também perdi lá e foi por números maiores. Fiquei contente pelo Rui. Digo sempre que as equipas portuguesas são sempre candidatas a ganhar a Europa League. O FC Porto e o Sp. Braga estão ali para ganhar a Europa League. Ganhar a Champions é que é mais complicado. Se me perguntarem se gostava que o Sporting fosse campeão europeu, não gostava. Já sei que vão rebentar comigo, mas não gostava. O último em Portugal fui eu, não gostava mesmo.»
Sudakov no lugar de Rafa?
«Fiz porque estavam todos a pedir que o fizesse. Estou a brincar, se pusesse o Rafa e não pusesse o Sudakov estavam a perguntar porque é joga o Rafa e não joga o outro. Porque é que jogou o Pavlidis e não o Ivanovic que nos deu a vitória? Porque é que jogou o Enzo e o Ríos ou um central da equipa B? Meti o Sudakov porque achei que, sem o Aursnes, a equipa perdeu controlo do jogo. Perdeu fluidez, consistência, critério, perdeu muita coisa. Não tendo um médio para substituir o Aursnes, achei que se mudasse um número 10 mais vertical por um número 10 que baixa mais e que vem buscar mais jogo podia dar mais consistência à equipa».
Otamendi, apesar dos problemas físicos, foi chamado à seleção
«Relativamente à seleção argentina, acho que eles têm algo muito próprio e que eu admiro, que é um núcleo muito forte, sistematicamente o mesmo, abrindo só a porta para pequenas entradas. Mesmo que os jogadores não estejam em boas condições para jogar, o aproveitar para estarem juntos e trabalharem. Têm este tipo de cultura lá. O Nico, seja para jogar ou não, iria sempre. Pode-se dizer que recuperou, mas se hoje tivesse jogado havia algum risco, mas pode ir à seleção sem problema».
A aposta em Barrenechea como central em vez de Ríos
«Fez um ótimo jogo, tivemos uma semana longa e limpa, onde treinámos quatro dias, três dos quais taticamente. Entre Ríos e Enzo não havia dúvida. Um é mais cerebral, o outro é mais impulsivo, mais emotivo. Viu-se com o excelente trabalho que fez no meio-campo, a roubar bolas. O Enzo é mais cerebral. O problema podia ser se o Vitória nos empurrasse para um bloco baixo, com cruzamentos. Desde que tivéssemos bola, aquela posição é mais confortável para o Enzo».