O presidente do Benfica, Rui Costa, falou aos jornalistas e justificou as negociações com Roger Schmidt para a sua saída comunicadas à CMVM.

«Comunicámos à CMVM que Roger Schmidt já não é treinador do Benfica. E confirmo isso. Agradeço o esforço e o trabalho que ele desenvolveu durante estes dois anos e meio. Agradeço os títulos alcançados, os jogadores que desenvolveu e que foram formados na nossa casa. Pese embora tivéssemos a ambição de criar estabilidade com um treinador mais de um ano, mesmo sem ter conquistado títulos, decidimos que era tempo de alterar fruto dos resultados e das exibições. Como tal, Schmidt já não é treinador do Benfica. É tempo de olhar para o futuro e estamos a trabalhar no novo treinador e muito em breve saberão quem é», disse numa breve declaração com que iniciou a conferência de imprensa realizada ao final da tarde deste sábado no Benfica Campus, Seixal.

Em maio, recorde-se, Rui Costa segurou Schmidt após uma época aquém das expectativas, sem títulos além da Supertaça em agosto de 2023 e o segundo lugar na Liga a dez pontos do campeão Sporting. «O que mudou daí para agora foi acreditarmos que o melhor para o Benfica era dar esta estabilidade e voto de confiança atendendo também que acreditávamos que era mais fácil a Roger Schmidt fazer o primeiro do que o segundo ano. Estas quatro jornadas indicaram o contrário e entendemos que era o momento de alterar.

Questionado se tem hoje arrependimento por não ter tomado no final da época passada esta decisão, o presidente do Benfica disse não ter uma «bola de cristal». Como disse, nós acreditávamos na estabilidade e no que tínhamos feito em conjunto sobretudo no primeiro ano de Roger Schmidt. E achámos que era mais fácil repetir o primeiro ano do que o segundo. E procurámos fazer isso: reforçar a equipa e perceber o que não tinha corrido bem no segundo ano em busca do que foram sobretudo os nove primeiros meses no Benfica em que estávamos todos deslumbrados com a equipa e com o próprio treinador. Foi nessa qualidade que eu tomei a decisão que tomei. Não jogo Totobola à segunda-feira. Acima de tudo, tenho de pensar no que considero ser o melhor, no momento, para o Benfica. Naquele achei que o melhor era a continuidade e agora achei que era a separação e começarmos um novo ciclo com um novo treinador.

Rui Costa deixou ainda uma palavra de apreço a Roger Schmidt. «Evidentemente que é uma desilusão para toda a gente que trabalha. Para mim e para o Roger Schmidt, que é um grande homem e nunca poderei esquecer isso. Uma coisa é o treinador e entendermos profissionalmente que está na altura de mudar, outra é o homem e são as relações humanas e essa não foi minimamente beliscada.»

O dirigente terminou a conferência concordando que nenhuma das exibições nos quatro jogos deu segurança para futuro - o que levou à mudança, sublinhou - mas manifestou confiança na qualidade do plantel para dar a volta à situação e recuperar o atraso pontual.

(artigo atualizado)