* Por Isabela Labate
Luisão regressou em dezembro ao Brasil, após 21 anos consecutivos em Portugal, e em Lisboa, sempre ao serviço do Benfica. Foram quinze anos como jogador e seis como dirigente, que terminaram no final de 2024, depois de uma depressão e um divórcio.
Em entrevista ao MAISFUTEBOL e à CNN Portugal, o brasileiro confessa que não é um adeus, é só uma pausa de quatro meses, e que o Benfica representa tudo para ele: o clube encarnado é a vida dele, tendo recusado sair várias vezes para criar um legado.
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Como é que o Luisão se tem sentido neste regresso ao Brasil?
A mudança foi bem pensada. Mas mesmo sendo bem pensada, posso dizer que às vezes assusta um pouco. São Paulo é muito grande, só de população é maior do que Portugal inteiro. Pensei muito neste regresso e, quando cheguei, em dezembro, a minha decisão foi estar perto dos meus pais no interior. Agora vim para São Paulo e tem sido um misto de sensações. É a felicidade de regressar onde cresci, a oportunidade de viver em São Paulo, mas também as memórias de quando estava em Portugal. Na verdade, é um misto de sensações na minha cabeça
Passou por poucos clubes, mas conquistou muito nesses clubes. O que é que isso representa para si?
Foram apenas três clubes - o Juventus, o Cruzeiro e o Benfica -, mas eu vejo isso pela importância de deixar um legado. É vestir a camisola de verdade. Hoje os jogadores, se calhar por causa dos agentes, não vestem tanto a camisola. Eu fiz a minha história por onde passei, transformava os clubes na minha segunda casa e a camisola na minha segunda pele. E depois as coisas deram certo. Apanhei boas gerações e foi uma escolha de carreira minha, criar raízes nos clubes.
Chegou a receber propostas de outros clubes para sair, mas escolheu ficar no Benfica. Porquê?
Recebi muitas propostas, muitas. Mas na hora H eu optava por ficar. Porquê? Era um plano de carreira meu deixar algo marcado no clube. Talvez uma transferência fosse boa em termos financeiros, mas no final da carreira não iria ser tão lembrada como agora é lembrada a minha permanência por tantos anos no Benfica.
O que é que representa ser considerado um jogador histórico do Benfica?
O Benfica representa a minha vida, representa tudo. Eu sinto-me muito honrado, porque é um clube que valoriza muito os ex-jogadores. É o clube de onde saiu o Eusébio, que é a mesma coisa do Pelé para o Brasil. Para mim é uma responsabilidade muito grande, porque quando se fica tanto tempo num clube e se é valorizado assim, também temos de ter uma postura diferente do normal.
Também teve funções administrativas, ainda está vinculado ao Benfica?
Demos uma pausa de quatro meses. O contrato é até ao fim de 2025 e fizemos uma pausa de quatro meses, porque tinha a vontade de voltar ao Brasil e para ver se me adaptava. Agora não exerço nenhuma função no clube, mas continuo a acompanhar.
Para terminar, que mensagem gostava de enviar aos adeptos do Benfica que estão a ler esta entrevista?
Eu tenho de agradecer do fundo do coração. Confesso que neste regresso ao Brasil, a saudade dos adeptos do Benfica é grande. Vão morar sempre no meu coração.
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