* Por Isabela Labate

Luisão regressou em dezembro ao Brasil, após 21 anos consecutivos em Portugal, e em Lisboa, sempre ao serviço do Benfica. Foram quinze anos como jogador e seis como dirigente, que terminaram no final de 2024, depois de uma depressão e um divórcio.

Em entrevista ao MAISFUTEBOL e à CNN Portugal, o brasileiro fala de Jorge Jesus e lamenta a xenofobia com que ele foi recebido quando chegou ao Brasil. Diz que Jesus é o melhor treinador com quem trabalhou, que Bruno Lage era o homem certo para substituir Roger Schmidt e que o título vai acabar na Luz.

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Hoje estamos a assistir a um aumento dos treinadores portugueses no Brasil. Como que é que tem visto essa aceitação dos treinadores portugueses?

Eu tenho uma opinião um pouco forte em relação a isso, porque, voltando atrás, acho que nós os brasileiros fomos um pouco egoístas nessa ligação. Quando foi do primeiro trabalho do Jorge Jesus, não recebemos tão bem assim uma pessoa de outro país. É a minha opinião. Agora já é completamente diferente e vejo essa ligação benéfica, porque os treinadores que vieram têm todos qualidade. São treinadores bem preparados, treinadores que estudaram durante quatro anos, por isso vemos que o treinador português, quando vem, tem sucesso no que faz. E porque não aprendermos com eles? Sermos abertos a outros treinadores e aprender com eles, não vejo problema nenhum. Só voltei lá atrás porque fiquei um pouco desconfortável, como brasileiro a viver em Portugal, de ver tantas críticas ao Jorge Jesus aqui no Brasil.

Porque é que o Jorge Jesus não teve tanto sucesso na segunda passagem pelo Benfica?

Acho que foi pelas características dele também. Ele fez um trabalho espetacular naquela primeira fase, fez com que nós jogássemos de olhos fechados, como ele diz. Mas na segunda passagem pegou uma outra geração e não conseguiu ter o mesmo rendimento. Para mim ele é o melhor treinador com quem eu trabalhei, sem sombra de dúvidas. Foi um treinador que aumentou a qualidade do meu jogo e prologou a minha carreira, porque é um detalhista, que treinava tudo até a exaustão, até chegar à perfeição. Por isso, para mim foi sem dúvida nenhuma o melhor com quem eu já trabalhei.

E porque é que hoje no Benfica só há um jogador brasileiro, que é o Arthur Cabral?

Acho que a diferença foi a passagem do Roger Schmidt pelo Benfica, porque ele olhou para outros mercados e não tanto para o mercado brasileiro. Por isso os brasileiros perderam algum espaço

O Roger Schmidt que foi substituído pelo Bruno Lage. Como que viu essa substituição?

O Bruno Lage tem carisma e já conhecia a casa. O Roger Schmidt foi campeão no primeiro ano, não ganhou a Liga dos Campeões mas fez um trabalho muito bom. Depois, no segundo ano, caiu de produção e eu acho que a pessoa certa para assumir o clube era mesmo o Bruno Lage: já foi campeão no Benfica, estava no mercado, já conhecia o clube e conhece a dinâmica desde as camadas de formação.

E como que o Luisão avalia o trabalho dele?

Acho que é positivo. No início o Benfica perdeu alguns pontos, que não devia ter perdido quando se luta por título, mas eu vejo a qualidade de jogo a voltar. A dinâmica da equipa é diferente, nota-se já o ritmo do Bruno Lage, o estilo de jogo do Bruno Lage e acho que, sobretudo o campeonato português, o Benfica tem grandes hipóteses de ganhar.

Acredita nesse título nacional?

Eu acredito, eu acredito. Acredito até porque conheço bem o clube e sei que quando o clube embala, é difícil de o parar.