«Não jogo Totobola à segunda-feira.» Rui Costa, 31 de agosto de 2024
«Não sou jogador de Totobola à segunda-feira...» Rui Costa, madrugada de 17 de setembro de 2025
Os contextos são semelhantes: dois treinadores demitidos numa fase prematura de uma temporada na sequência de más exibições e resultados, mas Rui Costa estabeleceu diferenças entre os casos do alemão e do treinador sadino que há pouco mais de um ano regressou ao Benfica quatro anos depois.
Para o presidente do Benfica, o facto de os encarnados terem lutado por todos os títulos nacionais até à reta final e a curta janela temporal entre o final da época passada - concluída apenas no fim de junho devido à participação no Mundial de Clubes nos Estados Unidos - o princípio desta, no final de julho, levaram-no a ter a convicção de que a decisão de manter Bruno Lage era a mais benéfica para o clube.
«Certo ou errado que eu esteja, sou muito apologista da continuidade dos projetos. Na época passada, não fomos campeões e não ganhámos a Taça de Portugal, mas a uma semana do fim tínhamos tudo em aberto para poder ganhar tudo. Saímos dessa época nacional e fomos ao Mundial de Clubes, onde chegámos aos oitavos de final e fomos eliminados por quem foi campeão do Mundo. Considerei e considero, para além da confiança que mantinha em Bruno Lage e para além de considerar importante um clube dar um seguimento a um trabalho, muito honestamente eu considerava uma irresponsabilidade hipotecar a época logo no princípio. E hipotecar significa entrar numa Supertaça e numa pré-eliminatória da Liga dos Campeões sem pré-temporada e com um treinador novo que inevitavelmente não conheceria os jogadores num período de mercado. O que é facto é que os resultados deram-me razão: o Benfica conseguiu os dois objetivos que tinha naquele período, não esquecendo que pelo meio teria jogos de campeonato e que, tirando o jogo com o Santa Clara, acabou por fazer os pontos que tinha de fazer», justificou o presidente do Benfica numa conferência de imprensa realizada já depois da uma da manhã desta quarta-feira.
«Estivemos muito perto de poder ganhar tudo e nenhuma equipa que chega ao final de uma temporada com a possibilidade de ganhar tudo está em descalabro», acrescentou.
«Eu não sou jogador de Totobola à segunda-feira. Não tenho uma bola mágica, mas tenho a certeza do que fiz, independentemente do que se possa pensar. Havia dois objetivos que implicavam muito conhecimento do que tínhamos internamente, porque o tempo era muito curto para preparar dois objetivos da dimensão dos que tínhamos. Considero que seria uma irresponsabilidade começar aquele ciclo com um treinador que tivesse de afrontar um desafio desta dimensão sem dias para trabalhar. Não é ser casmurro, mas é ser consciente da necessidade daquele momento, que me levava a dizer que era necessário ter um treinador que conhecesse na perfeição os jogadores que tinha», esclareceu Rui Costa.
O dirigente das águias reconheceu ainda ser difícil explicar como é que o Benfica, depois de alcançar os dois primeiros objetivos da época, quebrou tanto nos últimos dois jogos e defendeu a importância de não adiar mais a decisão tomada após a derrota caseira com os azeris do Qarabag.