Eduardo Salvio chegou à Luz em 2010, para reforçar o Benfica por empréstimo do Atlético de Madrid, mas o destino até poderia ter sido o FC Porto.

«Fui um ano emprestado. Estava entre o FC Porto e o Benfica. O Benfica contactou o At. Madrid diretamente e eu tinha a oportunidade de ir para o FC Porto através do meu empresário. Havia uma luta entre os dois. O Benfica vinha de ser campeão. Até já estava tudo meio acordado com o FC Porto, mas o dono do Atlético Madrid pediu-me que falasse com o Benfica e para só depois tomar a decisão. Disse ao FC Porto que ia falar com o Benfica e disseram-me que se ia falar com o Benfica, então não ia para o FC Porto. Falei com o Benfica e as pessoas do FC Porto fizeram com que o Lucho González me ligasse para me convencer [a ir para o FC Porto]», contou o internacional argentino, que joga atualmente pelo Lanús, ao podcast «El Fútbol».

«Desde que cheguei ao clube, nunca mais quis sair do Benfica. Falei com o Rui Costa, que era o diretor desportivo. Jogávamos Champions. Estavam Cardozo, Saviola, Aimar, David Luiz, Ruben Amorim. O nosso capitão era o Luisão. Havia jogadores muito bons. Também estava o Nico Gaitán e o Franco Jara. Estive muito bem nesse ano e o Benfica tinha uma opção de compra e Jorge Jesus queria que eu ficasse. (…) Voltei um ano ao Atlético de Madrid. O Benfica não acionou a opção de compra, mas um ano depois contratou-me», recordou.

«O Benfica é o amor da minha vida»

Salvio admitiu que o Atlético de Madrid melhorou muito as infraestruturas nos últimos anos, mas, naquela época, «o Benfica era mil vezes melhor» do que o clube espanhol no que toca a condições de trabalho. O argentino, de 35 anos, desfez-se em elogios aos encarnados.

«É um clube impressionante. O Benfica é o amor da minha vida. Pelas pessoas, pelo clube, pela cidade. Tive a sorte de estar lá muitos anos. Cresci muito. O clube dá-te tudo. É como o Real Madrid, sem exagero, é um clube de primeiro nível. Não deve nada a nenhum clube do mundo. É um clube que te dá todas as ferramentas, seja estudos, psicólogo, no apoio familiar.... Se te acontece alguma coisa, o clube ajuda-te. O clube está lá para qualquer coisa. Por exemplo, às vezes a minha mãe chegava às seis da manhã ao aeroporto e ia gente do clube buscá-la. No final dos treinos, também tinhas um tablet para responder a perguntas sobre o treino, se querias comer no clube ou não e se querias que te levassem a comida a casa. E às seis ou sete da tarde chegava o jantar a tua casa. E não só para ti. Para ti, para a tua família, amigos… É um clube incrível. Além destas coisas que te oferecem, é também pela qualidade humana, como te fazem sentir», vincou.

«Jorge Jesus passava uma hora só comigo a treinar»

No Benfica, Salvio encontrou Jorge Jesus, aquele que considera o melhor treinador com quem trabalhou. «Pela forma como vive o futebol, com muita paixão. É uma pessoa super exigente, com quem não paras de aprender. Muitas vezes, os treinadores já não ensinam, pensam que por estares na primeira divisão já sabes tudo. Há certos conceitos que o jogador precisa de melhorar. (…) Jorge Jesus passava uma hora só comigo a treinar. Aprendi todos os movimentos e conceitos de extremo com ele. Treinávamos as diagonais atrás do central. Os movimentos, o ataque ao espaço, o movimento para receber e ficar no um para um. Aprendi tudo com ele. E, pela sua forma de ser, fui crescendo. Tem muito a ver com o que foi a minha carreira.»

O extremo argentino também abordou a famosa maldição de Béla Guttmann e recordou as finais da Liga Europa que perdeu de águia ao peito.

«Não é que penses nisso dentro do campo, mas as pessoas têm isso muito presente. Perdemos a primeira final com o Chelsea e foi um passeio na primeira parte. Lembro-me que o Jorge Jesus, que era super exigente, nos disse ao intervalo “Fiquem tranquilos, que vamos ganhar, é impossível perder este jogo”. Estávamos a dar um baile a um Chelsea com grandes jogadores. (…) E perdemos por pequenos detalhes, no último minuto, no canto. Com o Sevilha foi o mesmo, tivemos tantas oportunidades para ganhar e perdemos nos penáltis, com o guarda-redes adiantado dois metros num dos penáltis. Injusto ou não, não sei. E nesse ano também ganhámos à Juventus, do Tévez, Pirlo, Pogba», contou.

Salvio terminou a passagem pelo Benfica em 2019. Rumou ao Boca Juniors, de quem é adepto, antes de jogar nos mexicanos do Pumas. Em 2024, Toto regressou ao Lanús, o clube onde foi formado.