José Mourinho voltou a estar no centro das atenções na Turquia. Em entrevista ao canal turco Now Spor, o presidente do Fenerbahçe, Ali Koç, voltou a abordar a passagem do técnico português pelo clube e comentou as palavras do mesmo quando disse que ir para o Fenerbahçe «tinha sido um erro».
«A saída do Mourinho foi difícil, muito difícil para mim a nível pessoal, porque era quase como parte da família. Ele trabalhou, deu tudo, era um verdadeiro obcecado pelo trabalho, mas a química não resultou. Ele disse que tinha errado, eu acho que foi uma decisão errada de ambas as partes e isso acabou por ficar claro com o tempo», começou por dizer o dirigente.
«Tínhamos assinado dois anos para dar estabilidade. Ele próprio dizia que o primeiro ano era de adaptação e o segundo para sermos campeões. Mas percebemos que, a jogar assim, não íamos conseguir. Precisávamos de dominar, de ter bola, de pressionar alto. O futebol direto não combina com o Fenerbahçe», acrescentou.
Apesar de elogiar a dedicação do treinador português, Koç admitiu que Mourinho se devia ter adaptado melhor ao futebol turco e que esperava mais mudanças para a segunda temporada do português.
«Achei que estávamos na mesma página. Até lhe disse que a sua equipa técnica era fraca; ele mudou tudo e trouxe uma equipa excelente. Mas nos primeiros cinco jogos vimos que o futebol era o mesmo. E aí decidimos que era melhor terminar a ligação. [...] Há uma frase que diz que só os mortos e os tolos não mudam. Depois da primeira época, ele precisava de se adaptar mais. Não aconteceu. Paciência, desejo-lhe o melhor», disse, ainda, o presidente do Fenerbahçe.
Ali Koç comentou também as declarações de Mourinho sobre Kerem Aktürkoğlu, considerando que o técnico se diminuiu ao justificar a eliminação apenas com a ausência de um jogador.
«Um treinador deste nível não deve reduzir a eliminação do Fenerbahçe a um único jogador. Isso é diminuir-se a si próprio. Claro que o Kerem queria muito vir, e se tivesse chegado antes talvez fosse diferente, mas o clube vendedor não quis negociar antes do fim da Liga dos Campeões. Mesmo assim, deu tudo nos dois jogos contra nós — ironia do destino, até marcou o golo decisivo», atirou.
No final, Koç acabou por justificar a mudança de Mourinho para a Luz como algo natural, até pelas semelhanças entre os dois clubes.
«O Benfica é, de todos os clubes da Europa, o que mais se assemelha ao Fenerbahçe. Lisboa parece-se com Istambul, a dimensão do clube, as assembleias, a televisão, as modalidades, a força económica… tudo. Nesse sentido, percebo a escolha», concluiu.