Os credores do Boavista requereram em tribunal o afastamento da atual direção, liderada por Rui Garrido Pereira, e a entrega da gestão do clube à administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, na sequência de novos incumprimentos financeiros, segundo um documento a que a agência Lusa teve acesso.

No requerimento a que a Agência Lusa teve acesso, os credores solicitam que a direção fique «impedida da prática de quaisquer atos de gestão ou administração», incluindo a realização de recebimentos e pagamentos, defendendo que esses poderes passem, de forma exclusiva e imediata, para a administradora de insolvência, pelo menos até ao encerramento da atividade ou à aprovação de uma solução alternativa pela Comissão de Credores.

Em causa está a falha do Boavista em depositar 53.680 euros destinados a despesas correntes do mês em curso, bem como no pagamento de 96.000 euros relativos à prestação de janeiro, a primeira de três previstas para regularizar dívidas vencidas.

O clube tinha conseguido cumprir o compromisso de dezembro, com um depósito de 55.000 euros, graças a uma campanha pública de angariação de fundos lançada dias antes.

Perante este novo incumprimento, Maria Clarisse Barros anunciou que irá avançar de imediato com as diligências necessárias para o encerramento da atividade do clube, sem necessidade de nova assembleia de credores. Recorde-se que, em 16 de dezembro, o Boavista tinha alcançado um acordo em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da exploração.

A situação financeira do emblema axadrezado arrasta-se há vários meses e já tinha levado a administradora de insolvência a pedir, em novembro, o encerramento da atividade, por considerar que o clube continuava a gerar prejuízos para a massa insolvente, cuja liquidação foi aprovada em setembro.

Sem equipa sénior ativa há cerca de dois meses e meio, o Boavista detém apenas 10 por cento do capital social da SAD, que deveria competir na II Liga em 2025/26, mas acabou afastada das competições profissionais e relegada administrativamente para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, onde ocupa o último lugar.

O clube chegou a inscrever-se na quarta divisão distrital, mas desistiu antes de disputar qualquer jogo, face às restrições financeiras e às dívidas solidárias com a SAD.

Despromovido da I Liga no final da época 2024/25, após terminar no 18.º lugar, o Boavista fechou assim um ciclo de 11 temporadas consecutivas no escalão principal. Um desfecho particularmente pesado para um dos históricos do futebol português e campeão nacional em 2000/01, que vive agora um dos momentos mais delicados da sua história.