A administradora de insolvência do Boavista Futebol Clube comunicou ao Tribunal Judicial da Comarca do Porto – Juízo de Comércio de Vila Nova de Gaia que as diligências para o encerramento da atividade do clube foram temporariamente suspensas, após terem sido assegurados fundos para fazer face às despesas correntes de fevereiro.
A decisão, da passada terça-feira, surge após Gérard López, empresário hispano-luxemburguês que é o acionista maioritário da SAD, ter depositado um donativo de carácter liberatório no valor de 54 180 euros, de modo a cobrir as despesas mensais do clube, estimadas entre 50 mil e 55 mil euros, com o objetivo de garantir a manutenção da atividade, incluindo as modalidades amadoras.
Perante este cenário, a administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, considera que a suspensão temporária das diligências de encerramento não acarreta prejuízo para os credores, além de evitar constrangimentos associados ao fecho das modalidades desportivas, numa fase em que estão a ser preparadas diligências para a venda dos imóveis apreendidos.
Esta solução surge após a Direção do clube não ter cumprido integralmente as condições definidas na Assembleia de Credores de 16 de dezembro de 2025, nomeadamente o depósito de 53 680 euros para despesas correntes e de 96 mil euros relativos à primeira de três prestações destinadas à regularização de dívidas vencidas até 30 de novembro de 2025.
O mesmo requerimento, a que o Maisfutebol teve acesso, determina a exoneração do presidente Rui Garrido Pereira e da sua Direção. Nesse documento, a administradora de insolvência informa ainda que, desde 18 de fevereiro, a Direção do Boavista deixou de coadjuvar a gestão do clube, que passa a ser assegurada diretamente pela própria Maria Clarisse Barros, com o acordo da Comissão de Credores.