O efeito da chicotada psicológica no Boavista surtiu efeito e a pantera voltou a mostrar as garras, conquistando a quarta vitória da temporada. O Rio Ave nunca conseguiu encontrar soluções para ultrapassar a boa organização boavisteira e averbou a 5.ª derrota consecutiva na Liga.
Jorge Couto entrou com o pé direito e fez valer a velha máxima de “rei morto, rei posto”, fazendo esquecer por completo Lito Vidigal. Os vilacondenses, a jogar em Paços de Ferreira, devido ao temporal que destruiu a cobertura do Estádio dos Arcos, estiveram irreconhecíveis, permanecendo na 11.ª posição.
Jorge Couto ‘effect’
Petit fez apenas uma alteração no onze depois da derrota em Alvalade ante o campeão nacional. João Graça passou para o banco e foi rendido por Tiago Morais. Já Jorge Couto quis marcar a diferença para Lito Vidigal e mudou quatro peças no xadrez depois do desaire caseiro diante o Gil Vicente. Saíram da equipa Kakay, Moussa Koné, Miguel Reisinho e van Ginkel e entraram Salvador Agra, Vitalii, Joel Silva e Abdoulay.
O Rio Ave entrou com mais bola, mas mostrou pouca paciência para encontrar os espaços necessários para chegar à baliza axadrezada, que aparecia bem organizada. O Boavista mostra-se mais objetivo e vertical, partindo em transições rápidas sempre que recuperava a bola. Foi numa dessas jogadas que chegou ao golo. Depois de conquistar um pontapé de canto, Salvador Agra bateu para a área, Diaby desvio ao primeiro poste e o esférico bateu no peito de Panzo acabando no fundo das redes.
Os vilacondenses reagiram de imediato ao golo sofrido e também estiveram perto de marcar numa bola parada. Olinho bateu o livre direto frontal que esbarrou caprichosamente na trave. Pouco depois, o perigo voltou a rondar a baliza contrária. Joel Silva entrou na área pela esquerda, fletiu para o centro e rematou para boa defesa de Miszta. Pela turma rioavista era André Luiz o único a tentar derrubar a pantera, mas sem sucesso.
Boavista mais objetivo
O panorama pouco ou nada mudo na etapa complementar. O Rio Ave continuava com mais bola, contudo o Boavista parecia confortável no jogo e continuava a ser a equipa mais perigosa. Jorge Couto deixou Joel Silva no balneário e lançou Reisinho. E foi dos pés do médio que saiu a primeira grande ocasião da segunda metade. Num rápido contra-ataque, Miguel Reisinho levou o esférico até à entrada da área onde disferiu uma bomba para uma espetacular defesa de Miszta.
A formação rioavista não conseguia encontrar soluções para entrar na defesa axadrezada, tentando quase sempre explorar o corredor central, facilitando a vida a quem defendia. Os treinadores refrescaram as equipas, mas voltou a ser a pantera a mostrar as garras. Reisinho apareceu à esquerda a cruzar para cabeçada de Bozenik para boa defesa de Miszta. Na recarga, aproveitando a passividade defensiva dos vilacondenses, Vukotic fez o segundo e sentenciou a partida.
Até ao final, o Rio Ave teve sempre mais bola, no entanto nunca conseguiu incomodar Vaclik. Festa rija boavisteira após o apito final: o triunfo faz renascer a esperança dos axadrezados.
FIGURA: Diaby (Boavista)
Foi um verdadeiro diabo à solta no ataque boavisteiro. Diaby esteve imparável na frente e foi ele que colocou sempre a defensiva rioavista em sentido. Esteve no lance do primeiro golo, ao desviar ao primeiro poste antes do autogolo.
MOMENTO DO JOGO: Autogolo de Panzo
Foi o momento que mudou o jogo. Pouco passava do quarto de hora, o Rio Ave tinha mais bola e o Boavista ainda não tinha chegado à baliza contrária. Na primeira vez que o fez, marcou e isso trouxe muita tranquilidade à equipa, que se mostrou sempre confortável no jogo. Nem parecia ser o lanterna vermelha do campeonato.
NEGATIVO: Ciclo de derrotas vilacondenses
E vão cinco derrotas consecutivas para o Rio Ave. A equipa que travou o FC Porto em casa, com um empate, e que derrotou o Sp. Braga, já não vence há cinco partida, precisamente desde o encontro com a turma arsenalista. Petit tem de recuperar a força amímica da equipa se quiser levar a nau a bom-porto.