E comecemos logo pela primeira semana, com três grandes desafios, e que servirá para prender a atenção de todo o mundo. Depois da abertura da competição, a 12 de junho, com um Brasil-Croácia, realiza-se logo no dia seguinte um espetacular Espanha-Holanda, no Arena Fonte Nova de Salvador, pelas 20h portuguesas, numa recriação da final do último Mundial. A 14 terá lugar o Inglaterra-Itália, no indesejável Arena Amazónia, em Manaus, às duas da madrugada. No dia 16 é a vez de Portugal entrar em competição e logo com a Alemanha, também em Salvador, pelas 17h.

Em toda a primeira fase não será difícil encontrar grandes jogos todos os dias. A 17 virá o Brasil-México, a 18 o Espanha-Chile, a 19 o Uruguai-Inglaterra, a 22 o Estados Unidos-Portugal, a 23 o Espanha-Chile, a 24 o Itália-Uruguai, a 25 o Nigéria-Argentina e a 26 o Portugal-Gana.

Toda a gente deve ter olhado com atenção para os grupos e surge sempre aquela questão qual será o mais complicado, ou seja, qual será o grupo da morte. Neste Mundial há três «grupos da morte». Muitos consideram que será o B, por ter a Espanha, a Holanda e o Chile (para além da Austrália), outros falam do D de Uruguai, Inglaterra e Itália (e Costa Rica), mas também se fala do G de Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos.

Mas vamos por partes.

O Brasil tem vida facilitada. No primeiro jogo defronta a equipa teoricamente mais complicada, a Croácia, na Arena São Paulo. Segue-se um jogo interessante com o México e finalmente com os Camarões. Resta saber quem vai ocupar o segundo lugar do Grupo A, sendo que são três equipas com ambições similares, mas que não estão entre as mais fortes.

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Os adversários do Brasil nos oitavos-de-final vão sair do grupo B e aqui está um dos aliciantes para observar estas quatro equipas com muita atenção. Desde logo teremos um Espanha-Holanda na primeira jornada, repetindo a final de há quatro anos, na África do Sul. O Chile conta com Vidal e Alexis Sanchez e não esconde a ambição de alcançar a fase seguinte, pelo que será interessante conferir as condições para interferir nesta luta entre os dois colossos europeus. A Austrália é sempre uma equipa aguerrida, mas que não terá grandes chances perante os restantes adversários. Se o primeiro classificado terá oportunidade de vir a defrontar uma equipa mais fraca do grupo A, quem ficar em segundo terá de defrontar o Brasil.

O Grupo C traz um interesse a adicional para os portugueses, pois coloca a Colômbia, a Costa do Marfim e o Japão no caminho da Grécia de Fernando Santos. Será um dos grupos menos interessantes da primeira fase do Mundial, sendo praticamente certo que a Colômbia é a equipa mais forte e resta saber qual das outras seleções estará em condições de chegar ao segundo lugar, com a Costa do Marfim a depender muito do estado de forma de Drogba.

O Grupo D é um dos tais «grupos da morte», pois tem três campeões do mundo: Itália, Inglaterra e Uruguai. A Costa Rica corre aqui por fora e dificilmente conseguirá somar algum ponto perante os restantes adversários. A Inglaterra nunca venceu um único jogo num torneio internacional de seleções contra as outras três formações, mas é curioso que a última vez que defrontou o Uruguai, em 1966, foi campeã do mundo.

A última vez que Itália e Inglaterra jogaram foi no Itália 90 e agora vão encontrar-se na Amazónia, em Manaus, naquele que seria o local menos apetecido pelos ingleses. O jogo realiza-se às duas da manhã portuguesas (a mesma hora em Londres e mais uma em Roma), mas há já pressões das duas federações para que o local e a hora sejam alteradas. De qualquer forma, os ingleses não escondem que se trata de um sorteio muito complicado.

Passemos ao Grupo E, aquele onde caiu a França, mas onde poderia estar a Itália, caso não fosse aquela troca de última hora da FIFA, que evitou a presença dos gauleses no pote 2. É um dos grupos mais fáceis, com Suíça, Equador e Honduras. Tal como admitiu o selecionador Didier Deschamps: «Poderia ter sido mais difícil».

A Argentina tem uma situação favorável no Grupo G, onde vai defrontar a Bósnia, o Irão e a Nigéria. Messi vai jogar contra Carlos Queiroz, o que será interessante de ver, mas não constituirá grande barreira para uma das seleções candidatas ao título. Resta saber qual será o outro país com capacidade para seguir em frente, sendo que a Nigéria apresenta-se com vantagem em relação aos restantes adversários.

E eis que surge o grupo de Portugal, um outro «grupo da morte», porque apresenta a melhor equipa do mundo da atualidade, a Alemanha, para além da melhor equipa da zona CONCACAF (os Estados Unidos) e a melhor da zona africana, o Gana.

Grande parte das atenções dos adeptos vai virar-se para este grupo, principalmente porque vai colocar frente-a-frente grandes jogadores. O ausente Gareth Bale diz estar entusiasmado com o Alemanha-Brasil e Ozil também não esquece dos seus ex-colegas no Real Madrid.

Um dos desafios interessantes será entre os irmãos Boateng, um pela Alemanha e outro pelo Gana.

Tal como admitem Hugo Almeida , Beto e Figo a tarefa não será nada fácil, mas Paulo Bento está confiante: « Queremos ser primeiros ». Do outro lado está a Alemanha a dizer que « os adversários são viáveis », «quem passar pode chegar aos quartos-de-final» ou até que se trata de um «grupo acessível» e os Estados Unidos a admitirem que este é um dos grupos mais difíceis .

Será muito importante saber quem vai ficar em primeiro e segundo lugar, pois o cruzamento é feito com o Grupo H e os oitavos-de-final poderão ser bem menos complicados do que a fase de grupos. A diferença estará nos quartos-de-final, porque quem ficar em primeiro deverá evitar a Argentina

O Grupo H não é dos mais fortes, pois tem Bélgica, Argélia, Rússia e Coreia do Sul. Ninguém consegue dizer com toda a certeza quem vai passar, mas os belgas surgem com uma seleção muito interessante e que deverá ter capacidade para se impor perante os demais. Defour já admitiu que se trata de um « grupo fácil». Os coreanos, sempre destemidos, poderão ficar em segundo lugar.undefined