Abel Braga, atual diretor técnico do Internacional, foi suspenso por cinco jogos e multado em cerca de 3.700 euros (20 mil reais) pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na sequência de uma declaração considerada homofóbica. A decisão foi tomada por unanimidade pela 6.ª Comissão Disciplinar do STJD e ainda admite recurso para o Pleno do tribunal.
O caso remonta ao final do último Campeonato Brasileiro, quando Abel, então regressado ao comando técnico da equipa gaúcha, criticou a utilização de uma camisola cor-de-rosa nos treinos, afirmando que não queria «uma equipa de 'veados'». A frase gerou imediata reação negativa nas redes sociais e junto de organizações ligadas à causa LGBTQIA+.
O dirigente, de 73 anos, viria depois a retratar-se publicamente, reconhecendo ter feito uma «mau reparo», sublinhando que «cores não definem géneros» e pedindo desculpa aos adeptos.
Apesar do pedido de desculpas, o STJD entendeu que a conduta se enquadra no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, relativo a atos discriminatórios, aplicando a suspensão e a multa dentro da moldura prevista (cinco a dez jogos).
A sanção produz efeitos no prazo de 24 horas e é válida apenas para competições nacionais. Abel Braga poderá, assim, continuar a exercer funções fora do âmbito do Brasileirão até nova deliberação, caso avance com recurso.