Se «ser do Palmeiras é um estilo de vida», como o próprio chegou a afirmar, Abel Ferreira vem-lhe dando, de há cinco anos para cá, uma aura de sucesso a um ritmo impressionante. Ao longo desse período, tornou-se no treinador mais titulado da história do clube, ao mesmo tempo que lançou jovens talentos que renderam cerca de 345 milhões de euros ao clube, em transferências. O lema do português, «cabeça fria, coração quente», também se reflete aqui.
Quando, a 30 de outubro do ano de 2020, em plena pandemia, Abel aterrou em São Paulo para orientar um Palmeiras que se arrastava pelo oitavo lugar no Brasileirão, dificilmente seria capaz de prever que por ali continuaria cinco anos depois. Porque o vínculo inicial era válido por apenas dois e, sobretudo, pela facilidade com que, ainda hoje, se despede um treinador no Brasil.
Abel contrariou tudo isso com títulos, mais do que com o nível do futebol apresentado. E fê-lo a uma dimensão nunca antes vista por ali.
Os 10 títulos que conquistou ao serviço do Palmeiras fazem de si o treinador mais bem-sucedido da história do clube. Entre outros, venceu dois campeonatos brasileiros (2022 e 2023), duas Libertadores (2020 e 2021) e uma Recopa Sul-Americana, em 2022. Um palmarés de respeito construído ao longo de 385 jogos, dos quais venceu 200.
Pelo meio, lançou craques como Endrick, Estêvão, Vitor Reis, Luís Guilherme ou o agora jogador do Benfica, Richard Ríos, cujas vendas renderam 345 milhões de euros aos cofres do Verdão.
Eleito o treinador do século no Brasil pelos adeptos, Abel Ferreira é também o que mais jogos ganhou pelo Palmeiras na Libertadores e no Brasileirão, o que mais finais disputou e aquele que mais tempo passou ao comando da equipa.
Um percurso de sucesso que lhe valeu diversas distinções, com destaque para a condecoração, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique em 2021, e a conquista das Quinas de Ouro, prémio atribuído pela Federação Portuguesa de Futebol, em 2022, ano em que lhe foi atribuído o título de Cidadão Paulistano.
Recebeu ainda o Prémio Mérito, atribuído pela Liga Portugal, e foi considerado o melhor treinador do campeonato brasileiro, ambos em 2023. Mais recentemente, foi agraciado com o prémio Bandeirante, concedido pelo Rotary Club de São Paulo.
Abel Ferreira é também bastante ativo no apoio a causas sociais, sendo disso exemplo o facto de ter doado a totalidade dos direitos de autor do seu livro, «Cabeça Fria, Coração Quente», a instituições de caridade.
Com um perfil como este, é natural que a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, faça de tudo para poder continuar a contar com o português no comando da equipa. Nas redes sociais, pontuou os cinco anos de Abel no clube com um elogio à «entrega, conquistas e momentos inesquecíveis no maior campeão do Brasil do técnico com a passagem mais longeva da nossa história».
Na próxima madrugada (00h30), Abel Ferreira terá pela frente um dos maiores desafios desde que chegou ao Palmeiras. Na segunda mão da meia-final da Libertadores, está forçado a dar a volta a uma desvantagem de três golos, frente à Liga de Quito, para se juntar ao Flamengo na final da principal competição sul-americana de clubes.
Flamengo que é, também, o principal rival do Palmeiras na corrida pelo título de campeão do Brasil, com o Cruzeiro de Leonardo Jardim ainda à espreita de uma surpresa. «Vou perder, vou ganhar, mas há uma coisa que não pode mudar nunca. É acreditar naquilo que fazemos». Palavra de líder, palavra de Abel.