Bruno Gama, jogador cedido pelo F.C. Porto ao V. Setúbal, é o convidado semanal da entrevista Maisfutebol/Rádio Clube Português. O extremo de 21 anos perspectiva o embate com a equipa portista, agendado para este fim-de-semana:

Como tem sido a estadia em Setúbal e no Vitória?

«Tenho-me adaptado bem, mas claro que ao início custou um bocado. No ano passado, fizemos uma época excelente, mas este ano tem sido mais complicado. Não conseguimos manter o nível exibicional e, com a crise directiva, o cenário agravou-se ainda mais.»

Os jogadores sentem-se sozinhos, nesta altura?

«De certa forma, sim. Chegou a um ponto em que os jogadores nem têm directores que os acompanhem em certos jogos. Os jogadores sentem-se sós e não têm com quem falar dos vários assuntos. Vamos para os jogos com a equipa técnica e o secretário-técnico, Paulo Grencho, é a única pessoa que nos tem acompanhado ao longo deste tempo. Este clube não merece o que está a passar.»

Como estão a digerir aquela derrota pesada frente ao Benfica?

«Até entrámos bem no jogo, o Benfica não estava ser muito superior, mas depois do segundo golo, a equipa foi muito abaixo. Não sei se terá a ver também com a crise que o Vitória está a passar. Mas agora só queremos trabalhar bem e chegar ao Dragão para trazer pontos.»

Será especial para si defrontar o F.C. Porto?

«É sempre especial, vou defrontar o clube ao qual estou ligado contratualmente. Mas não penso que tenha de mostrar mais por estar a jogar no Dragão. Quero apenas ajudar o Vitória. Nesta altura do campeonato, claro que o empate já seria um resultado muito bom, face à qualidade do plantel do F.C. Porto. O F.C. Porto tem um conjunto muito forte, sobretudo no ataque, onde tem jogadores que podem fazer a diferença.»

Como define o professor Jesualdo Ferreira?

«É um treinador muito competente, que tem ideias muitos fortes. Gosta de manter a ideia de conjunto e trabalhar muito bem um jogador a nível táctico, técnico e psicológico. Não sei se há diferenças dele em relação ao Sp. Braga, mas claro que chegar a um grande como o F.C. Porto é diferente. Quando esteve em Braga, conseguiu grandes resultados e no F.C. Porto está a conseguir o mesmo, tem sido campeão desde que chegou. Seria bom voltar ao F.C. Porto com Jesualdo Ferreira, porque trabalhei com ele no Sp. Braga e até no F.C. Porto, mas o que queria mesmo era integrar o plantel, qualquer que fosse o treinador.»

Esta é uma questão de que se tem falado. Pesa na cabeça de um jogador defrontar o clube ao qual está vinculado, o clube que lhe paga os salários?

«O que posso dizer é que é sempre um jogo especial, no qual tentamos estar sempre bem, porque queremos regressar a casa. Mexe sempre um pouco nesse aspecto, mas sobretudo antes de começar o jogo. Depois, esquecemos isto.»

Já esta época, um colega seu, Leandro Lima, falhou uma grande penalidade frente ao F.C. Porto. Naqueles momentos, a baliza fica mais pequena, por assim dizer?

«Normalmente, nas grandes penalidades, a baliza parece sempre mais pequena (ndr. risos). Nunca estive nessa situação, mas o Leandro assumiu a responsabilidade e marcou uma grande penalidade! Depois, teve a infelicidade de falhar a segunda. É sempre complicado, uma situação dessas.»

Acha que o F.C. Porto já é tetracampeão?

«Matematicamente, ainda não, mas penso que sim, que será campeão mais tarde ou mais cedo. É a equipa mais forte do campeonato. O F.C. Porto tem sido o clube mais regular nos últimos anos e Jesualdo Ferreira também tem sido sempre campeão. A equipa normalmente não tem quebras, tem uma estrutura muito forte. Sem desprimor para as outras equipas, isso sente-se dentro do campo, em termos de intensidade, agressividade e qualidade de jogadores.»