Curiosamente, Furtado é um daqueles casos já estafados de quem precisa de dobrar a fronteira para conseguir a tão desejada fama. Em Portugal, vagueou na modesta 2ª Divisão B. Começou no Casa Pia, transferiu-se para o Tourizenze e daí rumou para o F.C. Porto B, sempre num caminho marcado por muitas intenções e promessas: «Fico triste porque queria chegar à primeira liga portuguesa e mostrar o meu valor até que esta oportunidade surgiu». A oportunidade de jogar no campeonato búlgaro, que chegou por intermédio do empresário Nuno Rolo há seis meses.

Mas o jovem avançado hesitou pelo pouco mediatismo de um campeonato desconhecido aos olhos dos portugueses: «É verdade que não fui reconhecido em Portugal. Quando surgiu a hipótese de ir para a Bulgária, não aceitei logo à primeira, mas até hoje não me arrependi». O sucesso surgiu logo ao virar da esquina com exibições convincentes e golos em catadupa que o transformaram no melhor marcador da prova. «No início a minha maior dificuldade foi a língua e a comida. Já digo algumas palavras em búlgaro, algumas delas pronunciam-se como em português, como esparguete. Na alimentação senti problemas, porque eles comem muitos legumes».

O primeiro obstáculo foi ultrapassado e hoje já se sente «habituado e integrado» numa sociedade de usos e costumes bem diferentes da realidade portuguesa. «Mas adaptei-me e desenrasco-me muito bem», confessa Furtado com uma ponta de orgulho antes de ser convidado a destapar o véu de um campeonato marcado pela saúde financeira de quem o disputa: «Aqui estou bem, não há problemas de salários em atraso. Recebo todos os meses e não vejo a ninguém a queixar-se nos jornais». Do ponto de vista desportivo, o avançado diz que «o campeonato é competitivo e marcado pela qualidade». Um exemplo: «As equipas que estão na Taça UEFA já se apuraram para a próxima fase. Isso demonstra bem a qualidade deste futebol.» Tão diferente da realidade portuguesa...