Este foi o vídeo que tornou Emiel Pauwels famoso.

Foi em San Sebastian, no País Basco, e ele correu ao lado do finlandês Ilmari Koppinen, os dois únicos em pista nessa prova para maiores de 90 anos dos Europeus de veteranos.

Pawels, que ainda em outubro de 2013 se tornou campeão mundial de salto em altura na sua categoria (saltou 87cm), fazia atletismo desde adolescente, mas nunca se tornou profissional. Naqueles tempos, nos anos 30 do século passado, não era razoável esperar viver do desporto. «Era o trabalho que punha comida na mesa», disse ao jornal belga «Laatste nieuws».

Já reformado, decidiu voltar a dedicar-se à sua paixão antiga. Fê-lo com garra. Ganhou inúmeros títulos de veteranos, à força de muita vontade e de uma dieta rica. O pequeno-almoço, descrito por ele: «Começo o dia com uma laranja e uma banana, dois ovos com bacon e quatro fatias de pão com chocolate e queijo.»

Tinha o sonho de ir aos Mundiais de veteranos em março deste ano, em Budapeste, e de chegar aos 100 anos ainda em boa forma. Mas o diagnóstico da doença, no final do ano, tornou esse sonho impossível. Os médicos ainda ponderaram operá-lo, mas ele achou que não valia a pena, se não ia poder ter uma vida ativa.

E então quis decidir quando e como se despedia. «Decidi tratar dos papéis para a eutanásia e arrumar tudo numa semana.» Na Bélgica os médicos podem pôr fim à vida de um doente, em circunstâncias determinadas, nomeadamente em nome do alívio do sofrimento numa doença incurável.

Na segunda-feira Emiel organizou uma festa com os amigos e família mais próxima. Lá estava o filho, Eddy, a dizer que respeitava a decisão do pai, por muito que lhe custasse despedir-se dele. Emiel bebeu uma taça de champanhe e disse adeus, entre umas piadas com os amigos. 

«É a melhor festa da minha vida. Quem não queria partir com champanhe e rodeado pelos amigos? Deixo este mundo sabendo que tive uma vida cheia», disse aos jornais belgas: «Tive uma boa vida. Tive uma mulher maravilhosa e um filho lindo. Vi quase todo o mundo. Não tenho medo de partir. Na verdade, estou feliz.»

Bruges, a sua cidade de sempre, garante que não o vai esquecer e dará o seu nome a uma rua.