Carlos Brito é o convidado semanal da entrevista Maisfutebol/Rádio Clube. O treinador do Rio Ave aborda a ingrata situação da equipa que comanda, última classificada da Liga, e recorda momentos de ouro à frente do emblema de Vila do Conde.

Como tirar o Rio Ave dos cuidados intensivos?

Este é um momento importante. Não adianta olhar para o passado. O essencial é saber o que temos de fazer. Tenho 45 anos, mais de 300 jogos como treinador e sei que há várias razões para explicar a nossa posição. No passado recente fizemos só um jogo mau. Foi contra o Nacional e perdemos por 0-3. Não ponho em causa esse resultado, mas foi pesado. Isso trouxe algum desânimo e tristeza, mas nunca vendi ilusões a quem quer que seja. Temos de acreditar sempre que é possível a manutenção.

A equipa fez bons jogos na Luz, em Alvalade e no Dragão, por exemplo, mas somou apenas um ponto nas últimas cinco jornadas. Qual é o valor real do plantel do Rio Ave?

É um plantel com valor. Quando aceitei voltar ao clube, sabia que tinha mais a perder do que a ganhar. Seria mais fácil voltar no início de uma temporada e não a meio. Podia estar quietinho e não envolver-me nesta disputa. Mas agora olho para o plantel e sinto que existe qualidade. Recuso-me a acreditar que as coisas estão perdidas.

Como explica então os recentes resultados?

Em casa derrotámos recentemente a Académica e o V. Setúbal. Só por manifesto azar não batemos o Marítimo. Quando jogamos mal, perdemos. Quando jogamos bem, nem sempre ganhamos. Quem anda no futebol, percebe isto. A imprensa foi unânime a considerar o Rio Ave muito superior diante do Marítimo. Mas só empatámos. Esta tem sido um pouco a nossa história.

O Rio Ave só tem dois pontos fora de casa. Faltam seis jornadas, 18 pontos e mais três jogos longe de Vila do Conde até ao fim da época. O que é preciso alcançar para a manutenção?

Não sei, é difícil dizer. A verdade é que temos cumprido em casa. O que não temos conseguido fora é que nos impede de ter mais cinco ou seis pontos. E isso poderia ser decisivo. Nos três jogos em casa que nos faltam, o objectivo é claro: conquistar os nove pontos. Mas isso poderá não bastar, daí ser importante ir buscar algo nos jogos em que somos visitantes. Não dependemos só de nós e assumo-o. Há quem diga que 30 pontos são suficientes para a permanência, mas também já ouvi dizer que 29 ou 28 chegam.

No início da temporada, o ex-presidente Paulo de Carvalho considerou o Rio Ave um clube de sobe-e-desce. Concorda com esta ideia?

Conheço bem o Rio Ave e a realidade tem sido essa. Mas não há muitos anos fiquei a um golo da qualificação para a Taça UEFA com este clube. Também já desci por um ponto. Enfim, tem sido uma história um pouco atribulada. Quando saí deixei o clube na primeira divisão, desceu depois, subiu e agora está numa posição complicada.

Se o Rio Ave descer pode contar consigo para a Liga de Honra?

Foi-me proposto um ano e meio de contrato pela direcção e eu não quis. Não sei quantos fariam isso. As pessoas ficaram um pouco admiradas. Corro o risco de ficar associado a uma descida e não ter equipa nenhuma. Mas faz parte do jogo. Tive a possibilidade de ter mais um ano de ligação ao Rio Ave, mas não quis. Depois, se as coisas correrem bem, voltamos a falar.