media

Muitos dos factores que contribuem para a actual situação não são responsabilidade de Carlos Queiroz. Aliás, os últimos dois anos da era-Scolari já tinham deixado sinais claros de graves desequilíbrios e limitações no grupo.

A escassez de soluções para vários postos específicos já tinha causado dissabores na qualificação e fase final do Euro-2008 e não é culpa do actual seleccionador. A falta de líderes naturais e o atraso na renovação de valores, também não.

Com muito boa vontade, admita-se, até, que os dez minutos finais com a Dinamarca, a pontaria desastrada com a Albânia, ou a lesão de Bosingwa, se devem a uma forte dose de azar. Simétrica à fortuna que, indiscutivelmente, protegeu Scolari em vários momentos-chave.

Dito isto, é absurdo defender que Carlos Queiroz é o único factor da equação sem responsabilidades no sucedido nos últimos seis meses.

Nem vale a pena entrar em questões como a escolha dos onzes ou as substituições. Dez milhões de seleccionadores virtuais têm outras tantas maneiras de criticar, ou defender, as opções do único seleccionador real.

O problema é mais simples, e também mais fundo: Carlos Queiroz lida mal com a pressão. No campo, quando as circunstâncias do jogo o obrigam a mudar os planos. E no exterior, quando enfrenta críticas ou contestação. Isso transmite-se aos grupos que lidera, na forma de insegurança. E esta é um íman para o azar.

Com qualidades e conhecimentos intocáveis, com uma visão de fundo, de grande importância no actual contexto, Carlos Queiroz pode e deve desempenhar um papel fulcral na definição do futuro do futebol português.

Mas, a menos que tivesse assumido à partida um trabalho a prazo, sem o objectivo imediato de um apuramento - e Queiroz fez o oposto - de um seleccionador espera-se, em primeiro lugar, que resolva os problemas imediatos. Mesmo os que não acontecem por culpa própria. Para isso, é obrigatório superar todas as pressões.