O Casa Pia-FC Porto esteve recheado de fenómenos estranhos. Muitos, porque só desta forma os azuis e brancos poderiam sair de Rio Maior com outro resultado que não a vitória.

Meses depois do único tropeção nesta Liga com o Benfica, a equipa de Francesco Farioli – que promoveu cinco alterações no onze e deixou Froholdt (adoentado) pela primeira vez no banco ao fim de 20 jornadas – caiu pela primeira vez na prova aos pés de um resiliente Casa Pia.

O conjunto de Álvaro Pacheco, que ainda não tinha somado qualquer vitória na casa emprestada e buscava o primeiro triunfo com o novo técnico e neste ano civil, fez os dragões aquilo que nenhuma outra equipa nacional fizera nas 19 rondas anteriores.

Não só foi a primeira a conquistar-lhes três pontos, como foi a primeira a fazer-lhes dois golos e apenas a segunda (depois do Moreirense na jornada 9) a estar em vantagem frente ao líder incontestável. Para isso foi preciso saber sofrer e aproveitar as poucas vezes em que o conjunto adversário lhe permitiu chegar ao último terço.

O Casa Pia-FC Porto foi um jogo de sentido único de uma ponta à outra, mas também foi aquele em que os azuis e brancos mostraram uma faceta até hoje desconhecida. Lapsos defensivos – Thiago Silva formou dupla com Bednarek e relegou Kiwior para o banco – que custaram caro e uma profunda falta de discernimento para superar a organização defensiva espartana dos gansos e criar um número de ocasiões de golo que o caudal ofensivo deveria justificar.

Os gansos adiantaram-se no marcador aos 12 minutos por Larrazabal numa das poucas vezes em que conseguiram chegar com várias unidades às imediações da baliza de Diogo Costa. Se a tendência do jogo já havia sido definida desde o apito inicial, o domínio portista acentuou-se, com o Casa Pia totalmente empurrado até ao limite da área de Patrick Sequeira e, tantas vezes, apenas Diogo Costa no outro meio-campo.

Mas o autogolo de Thiago Silva em cima do intervalo condenou o FC Porto a correr toda a segunda parte contra o relógio e a fazer (pelo menos) três golos num relvado dificílimo sobretudo para quem tem tanto tempo a bola em poder.

Ao intervalo, Farioli mexeu apenas uma peça (Alberto entrou para o lugar de Martim Fernandes), deixando para um pouco mais tarde o lançamento dos pesos pesados.

Apesar disso, o recomeço de jogo não poderia ter corrido melhor aos dragões. Logo no primeiro minuto, Pablo Rosario reduziu a desvantagem.

A partir daí, os gansos tiveram no guardião Patrick Sequeira a sua grande figura e num adversário um aliado. Numa altura em que o FC Porto jogava com menos um defesa e mais uma unidade na frente e já tinha esgotado todas as substituições, William Gomes (um dos cinco jogadores lançados na etapa complementar) comprometeu as ambições dos azuis e brancos ao ser expulso com vermelho direto numa abordagem evitável.

A partir daí, o Casa Pia-FC Porto continuou a ser um jogo de sentido único, mas (ainda mais) fora do controlo da equipa visitante, que ficou menos capaz na frente e mais permeável na defesa.

O incrível FC Porto, dono de múltiplos recordes, cai pela primeira vez na Liga, num terreno onde era pouco expectável e noite noite em que tudo o que podia correr mal, correu.

E a Liga, de repente, ganha vida a dias de um clássico.