Em dia de Carnaval, o Estádio da Luz levou a mal a folia de Vinicius Júnior. O brasileiro, natural do Rio de Janeiro, atualmente a 'capital' mundial desta festa milenar, tornou-se a grande figura do segundo encontro entre Benfica e Real Madrid em menos de um mês.

Vini decidiu o jogo com um golaço a abrir a segunda parte, dançou na bandeirola de canto e instalou a confusão dentro e fora de campo. Sem humor carnavalesco, os adeptos arremessaram objetos e o brasileiro queixou-se de um insulto racista. Assistiu-se depois a um triste espetáculo na Luz, durante dez minutos, que contaminou o resto do jogo. Minutos mais tarde, Mourinho seria expulso na sequência de uma falta do brasileiro. O duelo congelou.

No que ao futebol diz respeito, o Real Madrid foi superior e isso nem sequer merece discussão. Trubin não marcou, desta vez, mas salvou o Benfica em diversas ocasiões, especialmente na primeira parte. Não será preciso um «milagre» para que o Benfica vença no conjunto das duas mãos... mas algo perto disso. 

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Real Madrid sufocou Benfica na primeira parte

Ao entrar no estádio, subir a bancada e contemplar o relvado, era impossível não recordar o dia 28 de janeiro. Aquela noite mágica em que estava «escrito nas estrelas» que o Benfica iria vencer o Real Madrid por 4-2, com golo do guarda-redes Anatoliy Trubin no último lance. Um jogo que será recordado por benfiquistas durante décadas. Já o trauma fará com que os madridistas se esqueçam, por certo, do que aconteceu no Estádio da Luz nessa noite. 

O Benfica fez questão de recordar aos espanhóis a vitória épica até antes do jogo, ilustrando a jogada do golo de Trubin com recurso a um espetáculo (bem conseguido) de luzes. As comparações e o sentimento de ‘deja vú’ era incontornável. Mas, como o caro leitor sabe, não existem jogos iguais.    

Ambos os treinadores (mestre e pupilo) aludiram a isso na conferência de imprensa. Para já, pelo simples facto de este ser o primeiro de dois duelos do play-off de acesso aos oitavos de final. O duelo no Santiago Bernabéu é, de facto, o decisivo no agregado. Porém, quanto maior fosse a margem de conforto da primeira mão, melhor. 

Mourinho pôde contar com os regressos de Aursnes e Dedic após lesão e um banco reforçado (até mais caro do que o onze inicial, por incrível que pareça). Alex Bah voltou a estar disponível após um ano lesionado. Já o Real Madrid apresentou o mesmo 4-4-2 volátil que o fez ganhar dois jogos seguidos com conforto. Mbappé e Vinicius lideravam as operações. 

A primeira parte, contudo, teve uma maior dose de calculismo do que no dia 28 de janeiro. Havia intensidade, mas a maior preocupação após a perda da bola era recuperar a posição e proteger as respetivas grandes áreas. De vez em quando, lá havia uma ameaça de golo. Primeiro, foi Vinicius a rematar com tempo na grande área, mas ao lado. Depois, o Benfica criou perigo no remate de meia distância, com Aursnes a obrigar Courtois a uma primeira grande defesa. 

Os maiores momentos de 'sururu' pertenceram ao Real Madrid. Aos 40 minutos, Alexander Arnold surgiu rapidamente na direita e cruzou rasteiro para as costas da defesa. Mbappé bateu toda a gente em velocidade… mas falhou a bola. Talvez tenha sido veloz em excesso. O francês ainda ficou bastante perto de um grande golo aos 43m, mas o pé esquerdo exagerou ligeiramente na força. 

O Benfica acabou a primeira metade em agonia. Dava a sensação de que os homens do Real pensaram: 'Agora, é a sério'. Rematavam, recuperavam a bola e partiam para cima do adversário. Trubin foi essencial para que o marcador se mantivesse a zeros no momento do descanso. O regresso ao balneário deve ter sido um alívio para os encarnados. 

Festejo de Vinicius após golaço fez estalar o verniz 

A segunda parte começou, praticamente, com o golo do Real Madrid. Num momento de maior desconcentração encarnada, Vinicius Júnior puxou a bola para dentro e rematou em arco, de forma imparável. Trubin nada podia fazer. Vinicius celebrou junto à bandeirola de canto de forma desafiante e caldo… entornou. 

Seguiu-se uma chuva de objetos arremessados, assobios e confusão entre jogadores. No meio da quezília, Vinicius queixou-se de que Gianluca Prestianni lhe terá dirigido um insulto racista. O brasileiro não quis voltar a jogar e sentou-se no banco de suplentes. Estalou o verniz entre elementos dos bancos, havendo uma expulsão para o lado benfiquista. Mourinho e Arbeloa trocaram palavras e o técnico luso ainda tentou Vinicius a voltar ao relvado.

O espetáculo não foi bonito e deixou o jogo parado durante dez minutos. Todos travavam-se de razões e o futebol ficou para segundo plano. A partida viria a ser reatada, mas demorou a que a bola fosse o centro das atenções. As chances rareavam, os duelos multiplicavam-se, as indignações também. Tanto que uma falta dura de Vinicius Júnior espoletou uma reação furiosa de Mourinho.

O treinador tanto pediu o segundo amarelo ao brasileiro... que acabou ele mesmo por ver duas cartolinas seguidas. E, com isso, falha o reencontro com o Real Madrid no banco do Santiago Bernabéu. Ironias da vida. 

Pelo meio, Richard Ríos, Dodi Lukebakio, Sudakov e Sidny Cabral ainda entraram. O Benfica esboçou uma reação. Porém, insuficiente. Resta aos encarnados acreditar numa vitória em Madrid. Tudo está em aberto.