O PSG É BICAMPEÃO EUROPEU!

Os parisienses, com os mesmos dez jogadores de campo da última final, entre os quais os portugueses Nuno Mendes, Vitinha e João Neves, venceram o Arsenal nos penáltis (4-3, após 1-1 no tempo regulamentar) no Puskás Aréna e conquistaram novamente a Liga dos Campeões.

A final não foi bonita, nada que se parece ao espetáculo que se viu no Parque dos Príncipes entre este mesmo PSG e o Bayern Munique. Kai Havertz abriu o marcador logo aos seis minutos e tudo ficou condicionado a partir daí. Uma equipa a defender com tudo, outra a atacar sem encontrar soluções e poucas oportunidades de golo. A decisão ter caminhado até aos penáltis não surpreende, assim como o desfecho: à grande e à francesa... o rei não caiu do trono.

Recorde aqui o filme do jogo

Quando Kai Havertz abriu o marcador com uma arrancada pela esquerda, após um lance fortuito com Marquinhos e Leandro Trossard, todo o adepto de futebol previu o que aí vinha. Um jogo amarrado, com uma equipa com tração à frente a querer ir para cima do adversário, enquanto a outra, reconhecida pela solidez defensiva, iria defender com um bloco organizado.

Foi isso mesmo que aconteceu. O Arsenal ficou muito confortável com o 1-0 no marcador e defendeu de forma compacta, suportado pelos quatro defesas que Arteta fez alinhar de início – Christian Mosquera, Saliba, Gabriel Magalhães e Piero Hincapié –, bastante dominadores, quer no chão, quer no ar. Por sua vez, o PSG teve a bola como gosta, mas foi uma posse estéril. A circulação foi lenta e os caminhos para a baliza de David Raya, sobretudo pelo meio, estiveram todos fechados.

O intervalo chegou e, imagine-se, a equipa do PSG nem tinha grandes ocasiões de golo. Com o jogo bastante condicionado, só uma desatenção defensiva contrapondo com um bom desenho ofensivo permitiria desbloquear a partida.

Ora, por volta da hora de jogo, numa altura em que Nuno Mendes procurava envolver-se ativamente no ataque parisienses, o português entendeu-se da melhor maneira com Kvicha Kvaratskhelia, que foi derrubado na área por Christian Mosquera.

Com uma oportunidade de ouro para empatar, Ousmane Dembélé não desperdiçou. O Bola de Ouro enganou Raya e colocou os sempre eufóricos adeptos do PSG em completo êxtase nas bancadas.

Apesar de estarem frente a frente as duas melhores equipas europeias, foi quase sempre possível prever o que viria a seguir no jogo. E, com o 1-1 no marcador, já se esperava que existisse mais espaço para jogar.

Arteta também não escondeu que era esse o plano, até porque fez entrar de imediato Viktor Gyökeres para o lugar de Martin Odegaard.

O Arsenal subiu linhas, rondou a baliza de Safonov, mas, por outro lado, ficou com as costas descobertas e permitiu ao PSG atacar em velocidade, sobretudo no corredor esquerdo, com Kvaratskhelia e, mais tarde, Bradley Barcola.

Ainda assim, o 1-1 persistiu até ao final dos 90 minutos. E o prolongamento? Um completo tédio. O cansaço apoderou-se dos jogadores – Vitinha saiu com muitas queixas ao intervalo – e a lentidão marcou o ritmo.

Os penáltis foram, por isso, uma inevitabilidade. Eberechi Eze e Nuno Mendes foram os primeiros a falhar, mas o PSG, que tinha iniciado a marcação, foi a vencer por 4-3 para o derradeiro pontapé. Ora, com a pressão toda em cima dos ombros, Gabriel Magalhães atirou por cima e entregou a segunda Champions consecutiva ao PSG, enquanto o Arsenal vê repetir-se o desfecho de há 20 anos, quando perdeu a final para o Barcelona.

A FIGURA: Ousmane Dembélé

O avançado francês teve muitas dificuldades para encontrar espaços e ser decisivo nas imediações da área do Arsenal. Porém, quando encarregado de converter o penálti aos 65 minutos, enganou por completo David Raya e relançou o PSG no jogo. E também aí terá reafirmado a sua candidatura ao bis na Bola de Ouro.

O MOMENTO: golo de Kai Havertz, 6m

Um belo momento do alemão, que condicionou o jogo por completo. Um golo à Gyökeres, com um movimento de ataque à profundidade no corredor esquerdo, antes de uma finalização certeira com pouco ângulo. Esse golo fez com que o Arsenal se remetesse ao seu meio-campo, o que tornou o jogo mais aborrecido, até porque o PSG teve muitos problemas em ultrapassar a solidez defensiva dos ingleses.

Positivo: a energia de João Neves

Foi um jogo complicado para os jogadores do PSG, incluindo os portugueses. Vitinha tentou orquestrar as jogadas a meio-campo, mas raramente conseguiu colocar passes a rasgar por dentro - os caminhos estavam todos tapados. Nuno Mendes também teve de lidar com Bukayo Saka no corredor e só se conseguiu libertar no segundo tempo. Já Ramos, marcou o penálti, mas acrescentou pouco desde que substituiu Dembélé. Ora, João Neves foi, de todos, o mais esclarecido. O jogo também ajudou as suas características, diga-se. Combativo, Neves teve energia para aguentar os 120 minutos e segurou as hostes parisienses quando já muito tinha mudado a partir do banco.