Livro: The Life and Times of Herbert Chapman

Autor: Patrick Barclay

Museu... eis uma palavra, um conceito, demasiado pequeno para Herbert Chapman.

É verdade que o Arsenal não nasceu de um 3-2-2-3. Ou WM, se se preferir as letras. «Apenas» se tornou temível por essa tática que perdurou até que uma mágica Hungria a destruiu por completo, em Wembley com um 6-3 imposto à seleção inglesa.

Aquilo que Herbert Chapman criou na década de 20 do século passado acabou ali, portanto. Teve tempo e local, até. Mas isso é uma exceção nos feitos de um homem que inventou o Arsenal no meio de duas Grandes Guerras e influenciou o futebol mundial até aos dias de hoje. Sim, hoje, porque há até quem diga que há vestígios dele no Barcelona atual. Morreu aos 55 anos, subitamente, para engrandecer a lenda.

«The Life and Times of Herbert Chapman» é um livro de Patrick «Paddy» Barclay (talvez conheça o autor de programas sobre a Premier League, na TV). Depois da saída da I Guerra Mundial, para resumir, os ingleses enfrentaram novos problemas com a Irlanda, uma Grande Depressão e uma mudança na lei do fora de jogo que alterou para sempre as ideias colocadas num campo de futebol. Este livro acompanha a vida do técnico, numa combinação de eventos futebolísticos com os sociais e políticos, de um país entre duas Guerras Mundiais.

Herbert Chapman chegou ao Arsenal em 1925, depois de ter ganho dois campeonatos ingleses como treinador do Huddersfield Town. Aquele número, 3-2-2-3, foi replicado pela maioria das equipas britânicas. E mesmo que haja dúvidas que tenha sido Chapman a inventá-lo (porque as há), ele foi pelo menos aquele que soube aproveitá-lo melhor. Ainda assim, a obra deste antigo jogador de futebol sem sucesso foi muito para além do WM.

Expandiu-se para fora do terreno de jogo e, imagine-se, até em Braga há vestígios dele. O livro permitir-nos-á entender como este homem estava à frente dos tempos. Em Inglaterra, os seus feitos são conhecidos. Mas convém lembrá-los para se perceber a visão deste treinador.

«Entre as ideias revolucionárias que teve estão o semi-círculo da grande área, os juízes de baliza e um segundo árbitro. Também promoveu o uso de holofotes, o uso de torniquetes e desenvolveu um sistema de som para que se passasse informações sobre as equipas para os adeptos. Criou ainda um placard com letras e números, que foi copiado pelo país nos 50 anos seguintes.»

História comprovada, verifica e extraída do site do Arsenal, para que não haja dúvidas.

No Emirates existem três estátuas e há uma quarta a caminho: mas só um treinador está ali imortalizado. Chapman, claro, o homem que fez questão que os jogadores usassem mangas brancas na camisola londrina: era para se distinguirem melhor, dizia ele.

De acordo com a apresentação feita, o livro contém testemunhos de dois treinadores também com glória no clube. George Graham e Arsène Wenger contribuem para a obra de Paddy Barclay e assim homenageiam aquele que foi o primeiro manager a conquistar troféus para o Arsenal.

Chapman morreu de uma pneumonia súbita, em janeiro de 1934, e não chegou a ver os gunners vencerem o tricampeonato no final dessa época.

Dizia-se, no início, que o conceito de museu é algo impensável, quando se fala de Herbert Chapman.

De facto, como é que alguém mete isto dentro de quatro paredes?

«Por último, mas não menos importante, o Arsenal deve agradecer a Chapman o facto de ser o único clube de Londres que dá nome a uma estação de metro. Chapman fez um grande esforço para que a estação atrás da bancada norte [no velho Highbury] fosse rebatizada. "Quem é que já ouviu falar em Gillespie Road?", disse uma vez, nas negociações.»

«"Aqui é Arsenal!”», concluiu depois.

Uma frase do autor sobre Chapman: «Fez tudo o que o futebol podia pedir a um mortal. Na verdade, ele fez ainda mais.»

Desconto de tempo é uma nova rubrica do Maisfutebol, de Luís Pedro Ferreira. Junta desporto e cultura, sobretudo o que é novidade. Sugestões? Siga para lpferreira@mediacapital.pt